Jovem que teve o corpo incendiado dentro de casa morre após 11 dias internada na UTI, em Goiânia
Emilli Vitória Guimarães Lopes, de 23 anos, não resistiu às queimaduras. Polícia Civil investiga o caso como possível feminicídio
A jovem Emilli Vitória Guimarães Lopes, de 23 anos, morreu no domingo (8) após permanecer internada por 11 dias em estado gravíssimo no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Ela estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entubada e respirando com ajuda de aparelhos, desde que sofreu queimaduras dentro da própria casa, em Aparecida de Goiânia. O velório ocorre desde a madrugada desta segunda-feira (9), e o sepultamento está marcado para as 15h, no Cemitério Jardim da Saudade, na capital.
O caso aconteceu na noite de quarta-feira (28), mas só chegou oficialmente ao conhecimento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) dois dias depois. Inicialmente, o companheiro da vítima, de 22 anos, alegou para polícia que o incêndio teria sido causado por um acidente doméstico. Segundo a versão apresentada por ele, Emilli usava álcool na pia da cozinha enquanto preparava o jantar, quando ocorreu uma explosão e provocou as chamas.
A narrativa começou a ser questionada após o relato da filha do casal, uma criança de 3 anos. De forma espontânea, a menina afirmou aos familiares que “o papai jogou fogo na mamãe”. A declaração levantou suspeitas e levou a família a procurar a polícia, que passou a investigar o caso como violência doméstica, com possibilidade de tentativa de feminicídio. A tipificação pode ser reavaliada após a morte da jovem.
Familiares relataram ainda que a mãe de Emilli só foi informada sobre a gravidade da situação na sexta-feira (30), dois dias após o ocorrido, quando foi avisada por uma cunhada. Até então, ela não sabia que a filha estava internada na UTI nem que havia sofrido queimaduras. Diante da situação, a genitora procurou a Justiça e solicitou medidas protetivas em favor da filha e da neta, conforme registro do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).
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Histórico de violência
O histórico do relacionamento também passou a pesar na investigação. Segundo o relato da mãe para a polícia, Emilli já havia sido agredida anteriormente pelo namorado e chegou a ficar alguns dias na casa da família. Apesar disso, acabou retomando o relacionamento após promessas de mudança. Vizinhos do casal também relataram que brigas frequentes eram ouvidas no apartamento, principalmente aos fins de semana.
A Polícia Civil informou que a investigação segue sob sigilo para preservar a criança, considerada vítima indireta da violência. Até o momento, não há mandado de prisão expedido contra o suspeito.