Justiça mantém presa fisioterapeuta suspeita de deformar pacientes durante procedimentos estéticos em Goiânia
Procedimentos realizados por Magda Oliveira da Silva provocaram necrose, mutilações e até queimaduras, inclusive na região genital
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A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, investigada por deformar ao menos sete pacientes em rocedimentos estéticos invasivos, em Goiânia, teve a prisão mantida pela 4° Vara de Garantias de Goiânia durante audiência de custódia nesta terça-feira (22). Ela foi presa na segunda-feira (21), suspeita de provocar lesões graves em clientes, inclusive na região genital, além de queimaduras, cicatrizes e até casos de mutilação de estruturas anatômicas.
A investigada, segundo a corporação, é fisioterapeuta e possui formação complementar na área de harmonização facial, corporal e íntima. Entretanto, a investigação aponta que, em determinados procedimentos, ela teria realizado cortes, retirada de partes de tecidos e provocado alterações da anatomia das pacientes. Ela também teria feito prescrição e/ou fornecimento de medicamentos, que caracteriam exercício ilegal da profissão.
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“Fiz o procedimento dia 27 de julho deste ano. Paguei R$ 600 e tive queimaduras de 3º grau, além de amputação dos pequenos lábios [vaginais] e lesão no períneo. Também tive exposição da uretra e infecção local. Quando informei ela sobre o problema, não me deu a mínima”, afirmou uma das vítimas, que não preferiu não se identificar.
A PC informou que divulgou a imagem de Magda com o objetivo de encontrar novas vítimas. A corporação orienta, inclusive, que possíveis novas vítimas procurem a unidade policial para prestar informações e apresentar eventuais documentos, imagens ou outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento do caso. O Mais Goiás não conseguiu localizar a defesa de Magda para que se posicionasse.
Sete vítimas
Até o momento, a investigação identificou sete vítimas que relatam complicações decorrentes de procedimentos realizados por Magda. Entre os casos investigados estão procedimentos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária, com relatos de cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes.
Em um dos casos, relacionado a um procedimento íntimo, a vítima relatou à corporação que houve retirada de tecido além do que havia autorizado, atingindo inclusive a região do clitóris. A documentação médico-legal produzida no curso da investigação registrou lesões compatíveis com intervenção na região genital.
Em outra situação, a vítima afirmou uma retirada extensa de tecido, lesão na região do clitóris e necessidade de atendimento médico, com uso de antibióticos e outros medicamentos. Há ainda relato de procedimento que teria provocado queimaduras graves nas mamas, com persistência das lesões e tecido desvitalizado.
Mais lesões
Outras vítimas relatam complicações após procedimentos com fios, aplicações e intervenções estéticas, incluindo dor intensa, inchaço, hematomas, secreção, bolhas, queimaduras, cicatrizes e necessidade de atendimento médico. Investigação reúne relatos, documentos e elementos periciais
Também há registro audiovisual relacionado a um dos procedimentos, produzido a pedido da própria vítima, além de imagens posteriores das lesões. Os elementos médico-legais já produzidos apontam, em determinados casos, para lesões provocadas por ação incisional e térmica, inclusive com comprometimento de tecidos da região genital.
Operação
De acordo com a PC, além da prisão, as equipes cumpriram três mandados de busca e apreensão, sendo um na residência da investigada e dois nos consultórios ligados à Magda. Foram apreendidos aparelhos celulares, documentos e medicamentos. Entre os produtos encontrados, haviam medicamentos com prazo de validade vencido. Foi constatada ainda a ausência de licença sanitária para o funcionamento do local.