Laudo aponta falhas, mas morte de estudantes em Goiás segue sem com perguntas resposta
Polícia Científica concluiu o laudo pericial e identificou irregularidades na van escolar e no caminhão
A conclusão do laudo da Polícia Científica sobre o acidente entre uma van escolar e um caminhão boiadeiro na GO-518, em Córrego do Ouro, no começo de junho, representa um importante avanço nas investigações, mas ainda está longe de encerrar o caso que comoveu Goiás e resultou na morte de cinco estudantes. Embora o documento já tenha identificado uma série de irregularidades nos veículos envolvidos, a própria Polícia Científica informou que ainda não é possível estabelecer conclusões definitivas sobre a dinâmica da colisão.
Segundo nota divulgada nesta quarta-feira (9), essa definição dependerá da realização de uma reprodução simulada dos fatos, conhecida como reconstituição. “O laudo pericial já foi encaminhado à Delegacia de Polícia responsável pela investigação e encontra-se à disposição da Autoridade Policial para subsidiar a continuidade do inquérito”, informou a corporação.
De acordo com a Polícia Científica, a reconstituição somente pôde ser solicitada após a conclusão do laudo técnico, já que os elementos produzidos durante a perícia constituem a base necessária para o planejamento e execução desse exame complementar. “As conclusões definitivas acerca da dinâmica e das circunstâncias do acidente dependem da realização de um exame complementar de Reprodução Simulada dos Fatos (Reconstituição), procedimento solicitado pela Autoridade Policial após a conclusão da perícia de local”, informou a instituição.
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O que a perícia já descobriu
Embora a dinâmica da colisão ainda esteja em investigação, o laudo técnico trouxe elementos considerados relevantes para o inquérito. Entre eles está a ausência do número do chassi da carroceria do caminhão que transportava 32 cabeças de gado, situação que levantou indícios de possível adulteração do veículo.
Outro ponto identificado pelos peritos foi a inexistência de tacógrafo tanto na van escolar quanto no caminhão. O equipamento registra velocidade, distância percorrida, tempo de condução e períodos de parada, sendo uma ferramenta importante para reconstruir acidentes de trânsito.
A investigação também confirmou irregularidades na prestação do serviço de transporte escolar. Fiscalização da Agência Goiana de Regulação (AGR) apontou que a van não possuía autorização para realizar transporte intermunicipal de passageiros e sequer estava cadastrada junto ao órgão para exercer essa atividade.
Apesar dessas constatações, a Polícia Científica não atribuiu, até o momento, relação direta entre as irregularidades e a causa da colisão. Essa definição deverá ocorrer somente após a reprodução simulada.
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Por que será feita uma reconstituição
A Reprodução Simulada dos Fatos é um procedimento utilizado quando os vestígios encontrados durante a perícia não são suficientes para explicar, de forma conclusiva, toda a sequência do acidente.
Durante o trabalho, peritos confrontam os danos nos veículos, marcas deixadas na pista, posicionamento dos automóveis, condições da rodovia, depoimentos de testemunhas e versões apresentadas pelos envolvidos para reconstruir os instantes que antecederam a colisão.
Esse exame poderá responder questões consideradas fundamentais para a investigação, como a posição dos veículos no momento do impacto, a velocidade desenvolvida por cada um deles, o tempo de reação do motorista da van e se havia condições de evitar a colisão.
Segundo a Polícia Científica, a reconstituição será realizada “com a maior brevidade possível”, respeitando critérios técnicos, científicos e legais.
Tragédia comoveu Goiás
O acidente ocorreu na noite de 1º de junho, na GO-518, entre Córrego do Ouro e Buriti de Goiás. A van transportava estudantes do Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro, em Sanclerlândia, quando colidiu com um caminhão carregado com 32 cabeças de gado.
Cinco estudantes morreram em decorrência do impacto: Isadora Castro Neves, de 12 anos; Izadora Monteiro da Silva, de 12 anos; Maria Carolina Sabino Alves, de 11 anos; Ezequiel Souza Oliveira, de 14 anos; e Lucas Antônio de Souza Dias, de 14 anos.
Outras sete crianças ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades de saúde da região e, posteriormente, ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Todas receberam alta após atendimento médico.
Investigação entra na fase decisiva
Com a conclusão do laudo pericial, a investigação entra agora em sua etapa mais importante. A Reprodução Simulada dos Fatos deverá reunir todos os elementos técnicos produzidos desde a noite do acidente para reconstruir a colisão e esclarecer quais fatores contribuíram para uma das maiores tragédias envolvendo transporte escolar registradas em Goiás nos últimos anos.
Somente após essa etapa a Polícia Civil deverá concluir o inquérito e definir se haverá responsabilização criminal dos envolvidos. A Polícia Científica ressaltou que a reconstituição será conduzida “observando os critérios técnicos, científicos e legais que regem a atividade pericial, a fim de contribuir para o completo esclarecimento dos fatos”, reforçando que a investigação permanece em andamento até que a dinâmica do acidente seja definitivamente estabelecida.