Feira Hippie: presidente é acusado de pedir beijo em troca de concessão de ponto
Waldivino da Silva nega as acusações e fala em calúnia
O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou o presidente da Associação da Feira Hippie de Goiânia, Waldivino da Silva, por suspeita de importunação e coação contra uma funcionária da entidade. Consta no documento, protocolado no começo de maio deste ano, que ele teria feito contato físico sem consentimento, como tentativas de beijo forçado e apalpamentos à mulher. O denunciado nega todas as acusações.
“Eu ainda não fui citado nisso, mas todas as denúncias que vêm sendo imputadas a mim são caluniosas, mentirosas, falsas. Isso será resolvido na Justiça. Assim que me citarem, eu vou apresentar e fazer a minha defesa sobre isso”, declarou ao Mais Goiás. “Sempre estive à disposição da justiça e da sociedade para esclarecer essas calúnias. São mentiras antigas que, estranhamente, voltam a ser ditas agora num momento de disputa em torno da feira. Aguardo com serenidade a finalização de qualquer investigação. E, a partir deste fim, tomar medidas cabíveis para defender minha honra.”
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Conforme a denúncia do promotor José Divino da Silva, os casos ocorreram entre 2018 e o fim de 2023 nas dependências da associação, que fica na Avenida Goiás, no Setor Central. O promotor argumenta que o acusado passou a se aproveitar de sua posição de superioridade hierárquica, a partir do ano de 2018, para constranger a vítima de forma contínua.
Ainda conforme o documento, o denunciado “condicionou a concessão de um ponto de venda a um beijo e chegou a oferecer a quantia de R$ 5 mil para que a ofendida passasse a noite com ele”. Com as recusas, ele teria passado a exercer coação moral no ambiente de trabalho, com ameaças de prejudicar a funcionária profissionalmente e transferi-la de quadra como punição, além de cortar benefícios laborais.

Ele também teria realizado contatos físicos forçados e até apalpado as nádegas da vítima, segundo o Ministério Público. Narra o promotor que, em outubro de 2023, o acusado “levou a vítima para uma sala reservada na rádio da feira, trancou o local, segurou-a firmemente pelos braços, puxou-a contra seu corpo e tentou beijá-la novamente à força, cessando a agressão apenas quando um terceiro bateu à porta do cômodo”.
A vítima, em decorrência das violências sofridas, desenvolveu quadro psiquiátrico, inclusive tentando tirar a própria vida e passando por internações hospitalares prolongadas.
Justiça
Ao Mais Goiás, a mulher afirmou que espera Justiça. “Eu espero que ele pague pelo que fez comigo. Eu adoeci e tomo remédios controlados até hoje, ficando internada até em hospitais psiquiátricos. Desde então [2023] estou sem trabalhar. Quero que ele pague para que isso não aconteça com outras mulheres.”
Para a denunciante, é importante que, caso existam outras, elas também denunciem. Ela revela que não denunciou o caso antes por medo, mas isso fez com que ela adoecesse. “Quero apenas que ele pague.”
O portal solicitou, também, uma posição da defesa da vítima. Em nota, o advogado Philippe Lasmar disse que os atos, “além de prejudicarem a possibilidade de a vítima se manter em seu trabalho, que tanto amava, trouxeram diversas consequências emocionais, motivaram internações e ocasionaram uma verdadeira invalidação social”.
Nota da defesa:
“Esse caso é marcado por graves ilícitos praticados contra a vítima, configurando uma nítida ofensa à dignidade da mulher. Tais atos, além de prejudicarem a possibilidade de a vítima se manter em seu trabalho, que tanto amava, trouxeram diversas consequências emocionais, motivaram internações e ocasionaram uma verdadeira invalidação social.
O Ministério Público, de forma assertiva, ofertou denúncia que corresponde exatamente aos atos praticados. Todas as demais medidas jurídicas estão sendo adotadas, incluindo o pedido de habilitação da defesa técnica como assistente de acusação, além do pedido de medidas cautelares para proibição de contato e de aproximação do denunciado em relação à vítima, o qual será protocolado na data de hoje, bem como uma ação cível que, após análise minuciosa, será devidamente ajuizada.
Tais medidas visam, prioritariamente, à proteção da vítima, à reparação dos danos e, sobretudo, à responsabilização integral pelos atos praticados. Acreditamos que a justiça será feita com rigor, garantindo a proteção dos direitos violados.”
Dr. Philippe B. P. Lasmar – OAB/GO 49.103