Preso por desvio de R$ 1,5 mi em Goiânia, Zander declarou Kombi de R$ 14 mil nas eleições de 2024
Ex-secretário preso em investigação milionária declarou patrimônio inferior a R$ 150 mil nas últimas eleições
Alvo da Operação Cultura Em(Cena), o ex-secretário de Cultura de Goiânia Zander Fábio declarou à Justiça Eleitoral, nas eleições de 2024, patrimônio de R$ 144 mil. Entre os bens informados estão uma Kombi 1999 avaliada em R$ 14 mil e uma área rural de 20 hectares declarada em R$ 130 mil. Apesar de não ter sido eleito vereador, o político assumiu no mês passado uma cadeira na Câmara Municipal de Goiânia como suplente, após licença da vereadora Léia Klebia (Podemos). A Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) apura um suposto esquema de desvio de R$ 1,5 milhão em contratos da Secretaria Municipal de Cultura (Secult).
Ao Mais Goiás, a defesa de Zander contestou a relação do ex-secretário com os veículos apreendidos. Segundo o advogado Marcelo Di Rezende, apesar de os carros estarem na garagem do investigado, eles não pertencem ao cliente. “Foram arrolados pela polícia nessa investigação, mas não são dele. Agora, possivelmente, os reais proprietários devem requerer eles”, afirmou.
Ao ser questionado se os veículos estavam em um imóvel de Zander, o advogado respondeu: “Sim. Ele gosta e atua nesse meio de carros antigos há tempos, mas são de outras pessoas”.

De acordo com a Polícia Civil, um clube de carros antigos da capital aparece no centro do esquema apurado pela Deccor. O delegado Francisco Lipari afirmou que empresas ligadas ao grupo recebiam recursos públicos mesmo sem possuir estrutura operacional, funcionários ou histórico de atuação no mercado. Algumas delas, conforme a investigação, funcionavam em endereços residenciais e chegaram a ser encerradas após receberem os valores.
A polícia afirma que diretores do clube, além de amigos e familiares dos investigados, apareciam formalmente como responsáveis pelas empresas e pelos serviços contratados para os eventos financiados pela secretaria. Durante a operação, foram apreendidos veículos antigos e itens de colecionador que, segundo os investigadores, estariam ligados aos envolvidos no caso.
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Empresas em nome de parentes e amigos
Outro ponto levantado pela investigação é que os eventos custeados pela Secult teriam estrutura considerada simples em comparação aos valores pagos. Segundo a polícia, os carros exibidos nos encontros eram levados voluntariamente pelos próprios integrantes do clube organizador.
Os investigadores identificaram ainda seis transferências de R$ 54 mil feitas no mesmo dia para empresas diferentes. A suspeita é de que parte dos valores retornava ao grupo e também a agentes públicos envolvidos no caso.
O delegado Francisco Lipari, afirmou que a operação agora entra em uma nova fase, com análise de documentos, aparelhos eletrônicos e movimentações bancárias apreendidas durante as buscas. A Polícia Civil tenta identificar se outras pessoas participaram do suposto esquema.
A defesa de Zander afirmou receber a operação “com absoluta tranquilidade” e negou participação do ex-secretário em qualquer esquema de desvio de recursos públicos. Os advogados também afirmam que não há demonstração de enriquecimento ilícito, recebimento de vantagem indevida ou prática criminosa por parte do ex-secretário. A defesa disse ainda confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. A prisão, segundo eles, foi “uma infeliz surpresa”.
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