Região Central de Goiânia tem 40 ‘mocós’, aponta levantamento da PM
Estruturas são usadas como boca de fumo e abrigo por parte de traficantes e moradores em situação de rua
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Um levantamento realizado pela Polícia Militar (PM) mapeou 40 estruturas abandonadas usadas como abrigo para pessoas em situação de rua, usuários de drogas e criminosos. Conhecidos como “mocós”, os locais estão espalhados pela área do 38º Batalhão, responsável pelo policiamento de 64 bairros da capital.
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Os setores Campinas, Centro e Universitário concentram a maior quantidade de “mocós”, bem como o Setor dos Funcionários. Na região do Dergo, conforme o comandante do batalhão, tenente-coronel Johnathan Tarley, havia a presença de cerca de 10 barracas abandonadas, que eram utilizadas por pequenos traficantes, mas foram derrubadas em ação conjunta com a Prefeitura de Goiânia.
“Esse levantamento foi realizado no final do ano passado. Produzimos um relatório de inteligência com a quantidade de ocorrências e sugerimos a demolição ou que o proprietário seja notificado. A Defesa Civil avalia a estrutura do imóvel e, na maioria dos casos, é feita a demolição. Muitos desses locais estão com a estrutura comprometida, então é arriscado para quem usa”, explica Tarley.
Entre os “mocós” identificados pela PM está uma escola de implantes odontológicos abandonada no Setor Central, onde foram encontrados materiais e aparelhos de raio-x de alto valor. Em agosto, a prefeitura chegou a realizar uma intervenção no local após ser informada pela corporação sobre o risco de contaminação por radiação, visto que o local costuma ser alvo constante de furtos por parte de usuários de drogas. Nenhum aparelho radioativo, porém, foi encontrado.
Na semana passada, o município também autuou o proprietário de uma edificação inacabada e abandonada na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, no Centro da capital. Fechado e sem uso há cerca de 25 anos, o espaço vinha sendo alvo de ocupações irregulares, o que motivou uma operação entre a PM e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) na estrutura
“Os responsáveis nos procuraram e já vão fazer o fechamento desse prédio [na Rua 2]. Como lá está aberto, as pessoas têm acesso. Vai ser feito um muro alto com uma concertina. Neste caso já não é demolição porque a estrutura é aproveitável”, explica o tenente-coronel.
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Demolições
Desde que foi enviado o relatório apontando os “mócos”, a prefeitura, com auxílio do 38º BPM, demoliu cerca de 10 estruturas. Grande parte dos locais estavam concentrados no Setor Central, conforme Tarley. Há ainda a previsão para novas intervenções ainda neste ano.
“No Setor Central foi demolido o banheiro da Praça do Trabalhador, os dois imóveis na Rua 74. A maior concentração foi no Centro, mas teve demolições no Dergo, Setor Universitário e Setor dos Funcionários “, reforça o tenente-coronel.
Baixa na criminalidade
As intervenções nos “mocós” se refletem diretamente no combate à criminalidade, de acordo com o comandante do 38º BPM. Conforme Tarley, a unidade registrava, em média, dois homicídios por mês. Os crimes, normalmente, são praticados entre moradores em situação de rua e pequenos traficantes que utilizam esses espaços como abrigo ou boca de fumo.
No entanto, com a demolição dos “mocós”, o setor central já não registra mortes violentas há cerca de dois meses. A ação, segundo o militar, é uma forma de antecipar a prevenção e, com isso, evitar crimes contra a vida, bem como o tráfico de drogas na região conhecida por comportar pessoas em situação de vulnerabilidade social.
“São estratégias transversais para minimizar esse fator de risco. A gente tem essa questão dos ‘mocós’, a patrulha da dignidade, onde encaminhamos moradores em situação de rua para a comunidade terapêutica. Já encaminhamos 138 pessoas, além dos grupos de WhatsApp com os comerciantes. São várias ações, não apenas uma isolada”, concluiu.