Vídeo: artista denunciado por Luciano Hang visita Beco da Codorna e explica diferença entre grafite e pixação
"Muita gente não sabe diferenciar a arte do vandalismo", diz o grafiteiro Smith Art Tattoo
O grafiteiro Smith Art Tattoo voltou a se manifestar sobre a polêmica envolvendo um grafite feito no Viaduto Iris Rezende Machado, em Goiânia, que acabou gerando críticas de Luciano Hang, o “véio da Havan”, que afirmou ter tomado “medidas legais” contra o artista. Smith publicou um vídeo no qual visita o Beco da Codorna, conhecido espaço de arte urbana no centro da capital, para defender a expressão cultural e explicar a diferença entre grafite e pixação.
Durante a gravação, Smith afirmou que o local simboliza justamente o espaço onde a arte urbana é valorizada.
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“Aqui é onde o preconceito acaba. Muita gente não sabe diferenciar a arte do vandalismo. Eu quero apresentar para vocês o Beco da Codorna. E o povo vem falar que isso não é cultura, não é arte. Esse preconceito que você carrega nunca vai superar a arte que está na rua”, declarou.
No vídeo, ele também mostra um mural presente no local e comenta que o autor da obra teria enfrentado perseguições. “Esse artista foi perseguido pelo véio da Havan, teve a família ameaçada de morte e precisou mudar de cidade”, afirmou.
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Polêmica após grafite em viaduto de Goiânia
O nome de Smith Art Tattoo ganhou repercussão após um grafite aparecer no Viaduto Iris Rezende Machado, em Goiânia.
O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, criticou a intervenção artística. Segundo ele, o local havia sido recentemente revitalizado com pintura nova durante ações relacionadas à inauguração de uma unidade da empresa na capital goiana.
A pintura havia sido realizada em uma ação que contou com a participação do próprio empresário e do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, com o objetivo de remover pichações do viaduto.
Pouco tempo depois, o grafite surgiu no mesmo espaço.
Hang classificou a intervenção como pichação e afirmou que o viaduto havia sido prejudicado pela pintura. Ele também defendeu o endurecimento das leis brasileiras para punir esse tipo de ação.
Debate antigo: onde termina o vandalismo e começa a arte?
A discussão reacendeu uma pergunta antiga nas cidades brasileiras: onde termina o vandalismo e começa a arte urbana?
De um lado estão pessoas que consideram intervenções em espaços públicos sem autorização como vandalismo. Do outro, defensores do grafite argumentam que a prática representa uma forma legítima de expressão cultural.
Para Smith Art Tattoo, o grafite é uma manifestação artística que transforma o espaço urbano.
Segundo ele, o grafite é uma forma de expressão que utiliza cores, letras, personagens e símbolos para transmitir ideias, sentimentos e retratar a realidade das ruas. Mais do que pintura, a arte urbana representaria identidade cultural e a voz de quem vive na cidade.
Diferença entre grafite e pixação
Um dos principais pontos levantados pelo artista no vídeo é a diferença entre grafite e pixação, termos que frequentemente são confundidos.
O grafite é considerado uma forma de arte urbana e pode ser feito legalmente quando existe autorização do proprietário do imóvel ou do poder público.
Entre as principais características do grafite estão:
- desenhos elaborados, personagens e uso de cores
- técnicas artísticas complexas
- mensagens sociais, culturais ou políticas
- reconhecimento como expressão cultural presente em galerias, exposições e projetos urbanos
No Brasil, a Lei nº 12.408/2011 passou a diferenciar grafite de pichação. A legislação estabelece que o grafite não é considerado crime quando realizado com autorização e com objetivo de valorizar o patrimônio.
Já a pichação, também chamada de pixação, é caracterizada por inscrições ou marcas feitas em muros, prédios e monumentos sem autorização.
Entre suas características estão:
- uso de letras estilizadas ou assinaturas (tags)
- foco maior em identidade ou protesto
- ausência de autorização do proprietário
Nesse caso, a legislação brasileira considera a prática crime ambiental, com previsão de detenção de três meses a um ano, além de multa.
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Quem é Smith Art Tattoo
Aos 38 anos, Smith Art Tattoo afirma que a arte sempre esteve presente em sua trajetória. Filho de uma artista plástica, ele cresceu em um ambiente criativo e teve contato com diferentes formas de expressão artística desde a infância.
Mais tarde, chegou a estudar artes visuais na Universidade Federal de Goiás.
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O interesse pelo grafite surgiu em 2005, influenciado pela cultura do skate de rua. Desde então, ele passou a desenvolver murais em diferentes bairros de Goiânia e também em outras cidades brasileiras.
Em 2013, ampliou sua atuação artística e começou a trabalhar também com tatuagem, construindo um portfólio que ganhou reconhecimento no setor.
Além de seu trabalho individual, Smith integra o coletivo Q20 Crew, grupo formado por artistas que realizam intervenções visuais em espaços urbanos como escolas, residências, empresas e centros de atenção psicossocial.
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