Goiás concentra 15% das recuperações judiciais do agro e acende alerta no setor
Estado registrou 296 pedidos em 2025 e fica atrás apenas do Mato Grosso. Cenário preocupa produtores e pode impactar preço dos alimentos
Goiás concentrou 15% dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro em 2025, segundo dados da Serasa. Foram 296 casos no estado, que ficou em segundo lugar no país, atrás apenas de Mato Grosso. No total, o Brasil registrou 1.990 pedidos. Esse aumento está ligado a custos mais altos, queda no preço dos grãos e problemas climáticos.
Especialistas explicam que a situação é resultado de vários fatores ao mesmo tempo. “As margens estão negativas e não há perspectiva de melhora nos próximos anos, principalmente pelo aumento expressivo no custo dos insumos, como adubos, além da queda no preço dos grãos”, afirma o engenheiro agrônomo Fernando Barnabé, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás.
A recuperação judicial permite que produtores renegociem dívidas e continuem trabalhando. Mesmo sendo uma alternativa importante, o aumento desses pedidos preocupa, porque pode deixar bancos e instituições financeiras mais cautelosos na hora de emprestar dinheiro. Na prática, isso significa crédito mais difícil e mais caro, o que afeta diretamente a produção no campo e, consequentemente, o preço dos alimentos.
Mais de R$ 300 bilhões em crédito rural
Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram liberados cerca de R$ 316,5 bilhões em crédito rural no país, segundo o Banco Central. Ainda assim, esse valor é menor do que o necessário, já que o setor precisa de cerca de R$ 1,1 trilhão por safra. Além disso, houve uma queda de 18,5% na liberação de crédito no início da safra 2025/2026, mostrando que o acesso ao dinheiro já está mais difícil.
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Para o especialista Magno Victor Alves Cardoso, não existe uma única causa para o problema. “O crédito é impactado por vários fatores, como juros altos, clima, custo de produção e as condições do mercado”, afirma.
Outro ponto importante é que o agronegócio está mudando a forma de conseguir dinheiro. Com mais dificuldade nos bancos, produtores têm buscado recursos no mercado de capitais, onde é preciso ter mais organização financeira. Nesse cenário, o especialista reforça que a gestão da propriedade faz diferença.
Aumento no preço dos alimentos
Para o consumidor, os efeitos podem aparecer no preço dos alimentos. Com menos crédito, produtores podem investir menos, o que impacta a produção. Diante disso, entidades defendem medidas para ajudar o setor, como a aprovação do projeto de lei 5122, que prevê melhores condições para pagamento de dívidas.