SAÚDE E SEGURANÇA

Goiás registra 24 mil acidentes de trabalho, diz anuário 2026; pardos são maioria das vítimas

Com alta de 10,5% nas ocorrências, estado acende alerta no Abril Verde. Dados extraídos do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho

Imagem ilustrativa
Trabalhadores pardos representam 64% dos acidentados (Foto: Freepik)

Goiás fechou o ano de 2024 com um salto de 10,5% no número de acidentes de trabalho em comparação a 2023, atingindo a marca de 24,3 mil ocorrências. Os dados são do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT) 2026, documento produzido pelo Ministério da Previdência Social. Por trás das estatísticas que alimentam a campanha Abril Verde, histórias de vítimas revelam o impacto de traumas e a busca por justiça em um cenário onde homens pardos compõem a maioria absoluta das vítimas no estado.

Em apenas dois anos, o estado saltou de 16 mil acidentes para mais de 24 mil casos. Entre os registros, 64% referem-se a acidentes típicos da função, como quedas, choques elétricos e queimaduras. No entanto, o recorte social acende um alerta ainda mais específico: trabalhadores pardos representam 64% dos acidentados, registrando um aumento de 12,25% em relação ao período anterior.

CRESCIMENTO DE ACIDENTES DE TRABALHO EM GOIÁS (2022-2024) FONTE: ANUÁRIO ESTATÍSTICO DE ACIDENTES DO TRABALHO (AEAT) / MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 0 10.000 20.000 25.000+ 16.000 CASOS 22.000 CASOS 24.303 CASOS +10.5% (vs. 2023) 2022 16.000 2023 22.000 2024 24.303 mg GRÁFICO: MAIS GOIÁS

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Para quem vive a estatística na pele, o prejuízo vai além dos números. Em um dos casos mencionados pelo TRT-GO, o vaqueiro Flávio Dias dos Santos, 48 anos, ilustra a gravidade do risco no campo. Durante o manejo de gado em Caldazinha (GO), ele teve o dedo esmagado contra uma estaca, resultando em uma amputação traumática e perda de 12% da capacidade funcional da mão.

O acidente encerrou sua trajetória na lida campeira e o obrigou a buscar amparo na Justiça do Trabalho após ser demitido sem suporte do empregador. O TRT-GO garantiu indenizações por danos morais, estéticos e materiais, mas as cicatrizes psicológicas persistem. “Eu perdi um dedo que hoje faz muita falta para mim. Hoje eu tenho trauma, não dou conta mais de mexer com fazenda”, lamenta o trabalhador, que agora vive de serviços informais. “Eu me dedicava muito e cheguei ao ponto em que desacreditei em companheirismo de fazendeiros”, reflete.

COMPOSIÇÃO DOS ACIDENTES DE TRABALHO EM GOIÁS (2024)

FONTE: ANUÁRIO ESTATÍSTICO DE ACIDENTES DO TRABALHO (AEAT) / MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

64% 25% 9.4% 1.6% ACIDENTES TÍPICOS (Cortes, Quedas, Choques) ACIDENTES DE TRAJETO DOENÇAS DO TRABALHO OUTROS/NÃO ESPECIFICADO mg GRÁFICO: MAIS GOIÁS

Nova fronteira da saúde mental

Embora o número de óbitos tenha apresentado uma queda de 13% no último ano, uma nova preocupação surge nos escritórios e fábricas: o esgotamento mental. O relatório aponta que os afastamentos por transtornos psicológicos dispararam 68% no Brasil. Esse cenário forçou mudanças na legislação; a partir de maio, as empresas serão obrigadas a mapear riscos psicossociais, tratando a saúde da mente com a mesma prioridade dada aos riscos físicos e biológicos.

A campanha Abril Verde, simbolizada pela cor da segurança e da saúde, utiliza o dia 28 de abril como um marco para lembrar as vítimas e reforçar que a prevenção não é apenas uma meta estatística, mas um dever coletivo para evitar que mais trabalhadores carreguem marcas definitivas em suas trajetórias.

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