Gripe ou Srag? Médica ensina a identificar sinais de alerta
Goiás entra em emergência após 2,5 mil casos de Srag
Goiás está em um período de situação de emergência em saúde pública após registrar 2.560 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Para entender melhor sobre a enfermidade, o Mais Goiás conversou com a médica Cristina Laval, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES-GO).
Cristina, que é médica sanitarista com mestrado e doutorado em Epidemiologia, explica que a Srag é uma condição que pode ser causada por agentes etiológicos diferentes, sendo os principais monitorados o rinovírus, vírus sincicial respiratório, metapneumovírus, além de influenza e Covid. “Contudo, existe um grande volume de pessoas que não consegue fazer uma coleta oportuna para ser feito o diagnóstico”, destaca.
A superintendente explica que, em muitos casos, o problema começa como uma síndrome gripal que evolui e precisa de internação. “A síndrome gripal pode ter como sintomas a febre, tosse, coriza, dor de garganta, dor no corpo, aquele mal-estar. Se, ao passar 48h ou 72h, persistir e ainda surgirem outros, como falta de ar, ou arrocheamento dos lábios e extremidades, é preciso buscar uma unidade de saúde”, enfatiza. Dentro dessas condições, se o oxímetro indicar oxigenação abaixo de 92%, também é sinal de alerta.
Inclusive, por meio do Decreto nº 10.895, a situação de emergência prevê abertura de leitos exclusivos, contratação emergencial de profissionais, além da instalação de um Centro de Operações de Emergências para monitorar a crise em tempo integral. Vale citar que, só nos primeiros 14 dias de abril, foram 890 pedidos de internação por Srag, e a cobertura vacinal contra a gripe no Estado não passa de 16%.
“Assim, qualquer unidade de saúde pode e deve ser procurada. Esse decreto serve justamente para facilitar a organização do serviço de saúde. Para que todas as portas de entrada do sistema tenham condição de atender o paciente, seja primária ou emergência”, detalha.
LEIA TAMBÉM:
Grupos vulneráveis
Além dos sintomas citados, a médica explica que, em crianças, ocorre também o “batimento da asa do nariz”, quando o nariz mexe, pois o menor faz força para puxar o ar. Também ocorre a evidência maior das costelas devido ao esforço para respirar. “Nesses casos, é importante procurar o serviço de saúde para avaliação correta e serviço oportuno.”
As crianças, sobretudo as menores de dois anos, estão no grupo de vulneráveis, conforme Cristina. Ela também cita os idosos acima de 60 anos e as gestantes como indivíduos com maior possibilidade de desenvolver gravidade. Outros são aqueles comorbidades, especialmente doenças pulmonares, e populações específicas, como quilombolas, indígenas, quem vive em ambientes mais fechados, entre eles aqueles em privação de liberdade.
“Nos caso dos vulneráveis, a recomendação é sempre buscar um serviço de saúde, mesmo diante apenas de sintomas de síndrome gripal. É importante não perder tempo, pois, no caso da influenza, é possível administrar o antiviral oseltamivir para impedir o agravemento. No caso da Covid, também usa-se antivirais.”

Cobertura vacinal
Em março começou a campanha vacinal contra a influenza que, até o momento, chegou a 16% do grupo prioritário. O ideal é 90%. A superintendente destaca a importância da imunização. “Quanto mais cedo procurarem a sala de vacina e os municípios facilitarem o acesso, menos internações e óbitos.” Ela lembra que a Covid-19 também possui rotina de vacinação, assim como o vírus sincicial respiratório – responsável pela maioria dos casos de infecções do trato respiratório inferior em bebês – para gestantes acima das 28 semanas, que protege o feto e o recém-nascido até um ano.
“E para os outros vírus respiratórios, nós temos medidas não farmacológicas, que não dependem de medicamentos. Se tiver com sintoma gripal, use máscara em qualquer ambiente. Lave as mãos com água e sabão rotineiramente. É preciso ter etiqueta respiratória, ou seja, tampar a boca e nariz com antibraço – ou lenço que possa ser imediatamente descartado – sempre que tossir ou espirrar”, enumera. “Também é preciso evitar levar as mãos aos olhos, nariz e boca, pois é porta de entrada para microorganismos.”
Ela ainda alerta que, para os grupos vulneráveis, mesmo sem sintoma, usar sempre máscara para proteção em ambientes de aglomeração e pouca ventilação. “Pois ali podem ter pessoas portando vários vírus respiratórios”, conclui.