Imagem de Nossa Senhora passa por restauração após ser descaracterizada em Pirenópolis
A intervenção ocorreu cerca de um ano após uma revitalização não autorizada que alterou as feições da imagem
A imagem histórica de Nossa Senhora das Dores, que pertence ao acervo da Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada em Pirenópolis, passou por um processo de restauração. O trabalho, conduzido pela restauradora Adriana Vera Duarte, foi concluído no último sábado (14) e foi supervisionado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A intervenção ocorreu cerca de um ano após a repercussão causada por uma revitalização não autorizada que alterou as feições da imagem, incluindo detalhes do rosto e o tom da pele. Na época, a mudança gerou críticas de fiéis nas redes sociais, que apontaram descaracterização da escultura religiosa.
Segundo o Iphan, a intervenção anterior foi realizada sem acompanhamento técnico adequado. Após o episódio, a imagem foi colocada à disposição do instituto para análise e passou por um novo processo de restauro, desta vez conduzido com critérios técnicos de conservação do patrimônio histórico.
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De acordo com a restauradora, o trabalho começou com a limpeza da policromia, que corresponde à pintura original da peça. Em seguida, foi feita a remoção de camadas de tinta aplicadas anteriormente. Essa foi a etapa mais delicada, pois exigiu o uso de luz ultravioleta e solventes específicos para não danificar a pintura original do século XIX.
Depois, foram realizados procedimentos de reintegração cromática em áreas que apresentavam pequenas perdas de pintura. O processo foi finalizado com a aplicação de um verniz protetor responsável por preservar a obra.

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A imagem de Nossa Senhora das Dores integra o conjunto de bens históricos e religiosos da igreja, cuja origem remonta ao século XVIII. Trata-se de uma imagem de roca em estilo barroco, modelo comum em tradições católicas ibéricas, no qual apenas rosto, mãos e pés são entalhados em madeira, ficando a estrutura do corpo oculta por vestimentas. O templo está ligado à história da Irmandade do Santíssimo Sacramento, fundada em 1728 e considerada uma das instituições religiosas mais antigas de Goiás.

Também foram restauradas a imagem do Senhor Morto, que havia sido modificada anteriormente, e a de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade. Neste último caso, a intervenção ocorreu em razão de desgastes causados pelo tempo. A imagem original é proveniente de Portugal e foi adquirida em 1728.
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