Uso de IA no agro atrai atenções na Tecnoshow, em Rio Verde; veja novidades
De conectividade via satélite a pulverização inteligente com 95% de economia, veja as soluções práticas que dominam a feira em Rio Verde
A 23ª edição da Tecnoshow Comigo, que teve início nesta segunda (6) e segue até sexta-feira (10), em Rio Verde, tem ao menos cinco expositores com soluções que têm inteligência artificial (IA) como núcleo do produto. Com o avanço da tecnologia, a IA deixa de ser novidade para se tornar ferramenta prática, presente desde o controle de pragas até a análise de grãos direto nos caminhões.
Entre os expositores está a Bit Electronics, de Itumbiara, que utiliza a inteligência artificial para conectividade rural e simulação de viabilidade por imagem de satélite. Igor Serafim, CEO e fundador da Bit Electronics, conversou com o Mais Goiás.
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Segundo ele, a empresa é focada em soluções avançadas de conectividade, automação e Internet das Coisas (IoT). “Nosso principal objetivo é resolver problemas reais de infraestrutura tecnológica, levando internet de alta performance e sistemas inteligentes para locais de difícil acesso, como áreas rurais e frotas em movimento”, destaca.
Para Igor, a inteligência artificial muda completamente o jogo no agronegócio ao transformar dados em decisões. O empresário explica que ela permite prever o clima com mais precisão, otimizar o uso de insumos (como água e fertilizantes), identificar pragas antecipadamente e automatizar o maquinário. “Porém, a IA só funciona se tiver dados em tempo real, e é impossível gerar e transmitir esses dados sem uma conexão de internet robusta no campo”, esclarece.

Ele afirma que a “Bit” atua fazendo a IA “ganhar vida” na fazenda. Ele explica que, por meio do sistema Bit Conecta, garante que o maquinário agrícola e os sensores IoT espalhados pela lavoura tenham conexão ininterrupta (utilizando tecnologias como a Starlink). “Na prática, nós construímos a ‘rodovia’ digital por onde os dados trafegam. Sem a conectividade e a automação que estruturamos, a IA não tem como analisar as informações das colheitadeiras ou dos sistemas de irrigação em tempo real.” Assim, ele argumenta que o produtor passa a ter internet de alta velocidade em qualquer ponto da propriedade.
“O uso é extremamente versátil. Pode ser instalado diretamente no maquinário pesado (tratores e colheitadeiras) para telemetria em tempo real, nas sedes das fazendas para gestão administrativa, ou em sistemas de irrigação e silos para automação e monitoramento. Basicamente, em qualquer lugar da propriedade onde a falta de sinal antes limitava a tecnologia.”

Sobre a origem da empresa, ela vem dos irmãos Breno, Igor e Túlio (BIT) e foi constituída em 2008. A história nasceu de uma necessidade dentro da própria família. “Tudo começou quando fomos tentar resolver um problema crônico de falta de sinal de celular na propriedade rural do nosso pai. Na época, compramos dois equipamentos para garantir a solução. Deu certo, mas acabou sobrando um. Como nós não éramos comerciantes e não sabíamos vender, decidimos simplesmente colocar essa unidade que sobrou no Mercado Livre. Para nossa surpresa, o equipamento foi vendido em apenas três dias”, revela.
Naquele momento, os irmão viram uma oportunidade de negócio e decidiram começar a empresa, com cerca de R$ 600 de investimento. “O que começou com um equipamento que sobrou em casa virou uma operação de escala nacional. Hoje, com mais de 18 anos de mercado, já ultrapassamos a marca de 20.000 clientes atendidos e temos muito orgulho de estarmos presentes em todos os estados do Brasil. Atualmente, contamos com uma equipe de 16 profissionais atuando conosco.”

Outros perfis
Quem também foca na IA, mas com um perfil diferente, é a SaveFarm, que apresenta um sistema de pulverização seletiva com a utilização de câmeras e algoritmos para identificar pragas em tempo real e acionar o defensivo nos pontos afetados. A medida evita desperdícios. Quem vai ao estande pode ver simuladores reproduzirem condições reais. Conforme a empresa, são mais de 300 máquinas em operação no País.
CEO da SaveFarm, Eduardo Marckmann detalha que se trata de uma “tecnologia avançada de pulverização seletiva que integra sensores inteligentes à barra de pulverizadores agrícolas. Utilizando inteligência artificial em tempo real, o sistema realiza a leitura do solo, identifica com precisão as plantas daninhas e aciona a aplicação de defensivos exclusivamente nos pontos necessários, garantindo máxima assertividade, economia de insumos e eficiência operacional”.
Ele afirma que a economia com herbicidas pode chegar a até 95%, gerando redução de custo operacional, menor uso de água e combustível e menos impacto ambiental. “Consequentemente, mais eficiência e precisão na aplicação”, detalha o diferencial para o produtor rural.
Outra companhia é a Saur. A empresa centenária volta à feira após cinco anos de ausência. Dessa vez, ela apresenta o equipamento S-Scanner, que analisa a qualidade dos grãos diretamente no veículo, sem necessidade de descarga.
Há, ainda, o Hub Goiás, que, pela primeira vez no Pavilhão de Tecnologia, comanda a Arena de Tecnologia e Inovação com programação dedicada ao uso de IA no agronegócio, reunindo startups, investidores e pesquisadores em painéis e batalhas de pitch ao vivo. Por fim, a Vittia fecha o conjunto, utilizando a inteligência artificial no setor de comunicação. Para isso, utiliza um totem instalado no estande para demonstrações interativas com o público.
