Despedida

Adeus a Helton Lenine: jornalista foi assessor de imprensa de Maguito Vilela

"Repórter político de respeito. Astuto, incômodo, como deve ser um bom jornalista" disse Bordoni ao falar da trajetória do amigo

Entre a polêmica e a reflexão, Helton marcou todos que conviveram com ele (Foto: reprodução)
Entre a polêmica e a reflexão, Helton marcou todos que conviveram com ele (Foto: reprodução)

O jornalismo político goiano perdeu, nesta sexta-feira (3/4), um de seus nomes mais combativos e experientes. Helton Lenine faleceu aos 72 anos, em Goiânia, deixando uma trajetória que se confunde com a própria história do poder no estado. Natural de Formosa, o profissional enfrentava complicações de saúde decorrentes de diabetes e problemas cardiovasculares, mas mantinha-se ativo na análise do cenário estadual através de colunas nos jornais Diário de Aparecida e Diário da Manhã.

Servidor aposentado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO), Lenine não foi apenas um cronista dos fatos, mas um estrategista da comunicação. Transitou com habilidade entre as redações e a gestão pública, tendo comandado as secretarias de Comunicação de Aparecida de Goiânia, na era Maguito Vilela, e de Anápolis, além de chefiar a assessoria da Assembleia Legislativa (Alego).

Imagem do jornalista
Helton Lenine começou na rádio, como operador de som, e subiu cada degrau do jornalismo com “raça e olhar curioso” (Foto: reprodução)

Da técnica ao topo das redações

A história de Helton é o retrato da ascensão pelo ofício. O jornalista Luiz Carlos Bordoni, amigo de longa data, relembrou em depoimento emocionado que a jornada de Lenine começou na Rádio Brasil Central, mas não diante do microfone: ele era operador de som.

“O Lenine não foi apenas mais um nome no jornalismo. Foi desses personagens que a gente vê nascer na raça. Conheci ele lá atrás, ainda operador de som, e isso diz muito. Os grandes começam assim, ouvindo e absorvendo. Ele aprendeu o ofício na inquietação de quem não aceita ser apenas espectador”, destacou Bordoni.

Essa base sólida o levou aos maiores veículos do estado, como O Popular e Diário da Manhã, além de atuar como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. Nas redações, consolidou-se como um repórter “astuto e incômodo”, termo usado por Bordoni para definir sua capacidade de extrair o que o poder tentava esconder.

Leia mais

O mestre do bastidor e da polêmica

Dono de uma frase afiada, Helton Lenine era conhecido por não fugir do embate. Para ele, a polêmica era uma ferramenta de reflexão, nunca um fim em si mesma. Mesmo quando atravessou a barreira da reportagem para assessorar grandes líderes como Iris Rezende e Maguito Vilela, ele preservou o olhar aguçado que o consagrou.

“Ele foi para o outro lado assessorando nomes importantes, mas nunca perdeu a essência crítica. Isso não é para qualquer um”, pontuou Bordoni em sua homenagem. “No fim, o que define um jornalista é o quanto ele marcou quem conviveu com ele. E o Lenine marcou a todos nós.”

Despedida

O último adeus ao jornalista ocorre nesta tarde. O velório teve início às 8h30 no Cemitério Parque Memorial, em Goiânia, com sepultamento agendado para as 16h no mesmo local.

Para os colegas de profissão, fica o legado de um analista que via na política um tabuleiro de xadrez e na notícia um compromisso inegociável. Como resumiu Bordoni: “Os bons jornalistas não morrem. Apenas deixam de assinar as suas matérias”.

O Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor) manifestou profundo pesar pelo falecimento de Helton Lenine, ressaltando que sua trajetória é um exemplo de profissionalismo e seriedade que moldou o jornalismo goiano. Ao Mais Goiás, o presidente do Sindjor, Francisco Costa, lamentou a perda do colega e destacou a relevância de sua atuação técnica. “Pessoalmente estou muito triste. Era meu amigo, trabalhei com ele no DM, no DA e ele me chamou para o Tribuna”, afirmou.

Leia também