INFLAMAÇÃO DAS ARTÉRIAS

Jornalista goiana descobre síndrome rara após sofrer quatro AVCs; entenda

Reumatologista explica que a síndrome de Takayasu afeta, em sua maioria, mulheres, e causa a inflamação de artérias

Jordanna Carolina de Lacerda Vitor
Jordanna Carolina de Lacerda Vitor, que possui síndrome de Takayasu (Foto: Arquivo Pessoal)

Jordanna Carolina de Lacerda Vitor, de 36 anos, é uma jornalista goiana que sofre com as consequências de quatro AVCs (Acidente Vascular Cerebral). Ela tem uma síndrome rara, denominada Takayasu, que é uma inflamação nos vasos sanguíneos. Além disso, ela também possui trombofilia, uma predisposição de desenvolver trombose, o que agrava ainda mais o caso.

Jordanna conta que teve o primeiro AVC em 2016 e o segundo em 2017. Conseguiu se recuperar e ficou três anos sem passar pelo mesmo episódio. Porém, em 2021 teve o terceiro, e o quarto veio este ano. Como consequência, ela teve algumas sequelas, como, por exemplo, dificuldades na fala.   

“Em 2017 tive o diagnóstico de trombofilia e eu pensava que era ela que causava os AVCs, mas nesse último, eu estava anticoagulada com uma dose alta de anticoagulante e não segurou. Agora, depois do 4º eu tive também uma paralisia do lado esquerdo e a minha fala foi comprometida. Eu tô fazendo fisioterapia todo dia e faço também fonoaudióloga”, explica a jornalista.

“Por causa da síndrome, eu tomo imunossupressor injetável e corticoide, faço a aplicação por seis meses. A gente acha que ela (a doença) vai regredir. Tomo outros remédios que dão suporte também. O tratamento é muito caro, chego a gastar mais de R$ 3 mil por mês”, diz Jordanna.

Entenda sobre a síndrome

A reumatologista Paula de Alencar Veloso, que acompanha o caso de Jordanna, explica que a síndrome de Takayasu afeta, em sua maioria, mulheres, e causa a inflamação das artérias de grande calibre, que vão se estreitando. Os principais sintomas são fadiga, febre e cansaço.

“É uma doença mais rara e de diagnóstico tardio. Não tem manifestações agudas, mas tem tratamento. As doenças autoimunes têm predisposição genética, mas não necessariamente passa de mãe para filho”, explica a médica.

Ainda de acordo com a profissional, o AVC é uma das manifestações da vasculite, mas não é a apresentação primária. “As queixas geralmente são de dor nos membros, e o paciente vai sentindo dor a medida dos maiores esforços”, explica.

O diagnóstico é minucioso, geralmente, feito por meio de angiotomografias, ressonâncias, exames laboratoriais, pesquisa de anticorpos de outras doenças e rastreio de outras doenças vasculares.

“É um diagnóstico mais difícil de ser feito. Acontece uma falha no sistema imunológico. Vale ressaltar que, no caso da Jordanna, ela também tem trombofilia, então é difícil diferenciar por qual doença o AVC foi provocado”, finalizou a Paula de Alencar.