JULGAMENTO

Júri de motorista acusado de causar acidente fatal com policiais do COD acontece nesta quinta

Mãe de réu viaja de Bebedouro nesta terça-feira para acompanhar a sessão

Júri de motorista acusado de causar acidente fatal com policiais do COD acontece nesta quinta
Jhonatan Murilo Leite (Foto: Arquivo Pessoal)

O júri de Jhonatan Murilo Leite, motorista que conduzia o caminhão que colidiu com uma viatura do Comando de Operações de Divisas (COD) na BR-364, em Cachoeira Alta, no Sudoeste goiano, em abril de 2024, e causou a morte de quatro policiais, acontece nesta quinta-feira (16), a partir das 8h30, em Cachoeira Alta. Originalmente, a sessão foi iniciada em dezembro, mas foi dissolvida 19 horas após o início do julgamento.

Quem confirmou a informação ao Mais Goiás foi a mãe do réu, Andreza Aparecida Paniagua, e também o Tribubal de Justiça de Goiás (TJGO). Ela, que vive em Bebedouro (SP), retornará a Goiás para acompanhar o julgamento. “Eu vou pegar o ônibus hoje [terça-feira, 14] à noite e chego em Rio Verde amanhã, por volta das 15h. Depois, pego mais um ônibus para Cachoeira Alta”, informou ao portal.

Ela relembrou o júri em dezembro. Segundo ela, o filho foi alvo de uma narrativa desumanizadora pela acusação. Ela alegou que o Ministério Público utilizava argumentos “absurdos” durante o júri, inclusive interpretações sobre tatuagens e o comportamento dele, para rotulá-lo como um criminoso implacável.

Andreza ainda afirmou que o filho passa por acompanhamento psicológico na prisão devido ao trauma do acidente. Em dezembro, quando conversou com o Mais Goiás, ela disse que sentia por tudo que aconteceu e tinha muita vontade de conversar com as famílias dos policiais e falar que a gente sente muito mesmo. “Nós somos seres humanos, não somos monstros igual o promotor falou”, disse à época.

Na ocasião, conforme ela, a promotoria chegou a questionar a presença de seu neto de dois anos, que é autista, no plenário. Andreza justificou que a criança estava lá por necessidade logística da família e não por estratégia de defesa.

A mãe do réu também acredita que o filho seguia para uma absolvição quando foi anulado o júri. “Perícias provaram que meu menino não invadiu a pista. Testemunhas também disseram.” Ela reforçou que o filho jamais teve problema com a polícia ou com a Justiça. “Não tem nem nunca teve passagem ou qualquer outro problema.”

LEIA TAMBÉM:

Júri dissolvido

A decisão do juiz Filipe Luis Peruca ocorreu após ele perceber que uma jurada embaralhava as cédulas de votação para colocá-las na urna. Indagada, ela disse que era seu primeiro júri e que não expressou sua vontade, votando aleatoriamente. O representante do Ministério Público, então, requereu “a dissolução do Conselho de Sentença, ao argumento de violação à regularidade do procedimento de votação, por comprometimento da livre e consciente manifestação de vontade da jurada”.

Conforme o magistrado, “nos termos da legislação processual penal que rege o procedimento do Tribunal do Júri, o voto do jurado deve consistir na expressão direta, pessoal e consciente de sua convicção”. Desta forma, o magistrado determinou a dissolução do conselho de sentença.

Sobre o caso, o acidente aconteceu na noite de 24 de abril, quando o caminhão carregado com 70 toneladas de milho bateu de frente com a viatura dos militares. As vítimas foram o subtenente Gleidson Rosalen Abib, o 1º sargento Liziano José Ribeiro Junior, o 3º sargento Anderson Kimberly Dourado de Queiroz e o cabo Diego Silva de Freitas.

Inicialmente, outro homem assumiu a direção do veículo, mas testemunhas confirmaram que Jhonatan era o verdadeiro condutor. Ele dirigia sem a categoria adequada na CNH e teria contado com a ajuda de terceiros para encobrir sua participação no acidente.

A perícia apontou que o caminhão trafegava acima da velocidade permitida e invadiu a pista contrária. Marcas de frenagem de 30 metros reforçam essa versão. Para o promotor Geibson Cândido Martins Rezende, responsável pela denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), o motorista tinha plena ciência dos riscos e ignorou as normas de trânsito, colocando em perigo a própria vida e a de terceiros. Além disso, o órgão descartou a hipótese de ultrapassagem irregular por parte da viatura.

Na ocasião, a defesa de Jhonatan sustentou que ele dirigia em velocidade compatível e que a colisão ocorreu porque a viatura tentou ultrapassar outro veículo. No entanto, um laudo técnico anexado ao processo contradiz essa versão.

Liziano José Ribeiro Júnior, Diego Silva de Freitas, Gleidson Rosalen Abib e Anderson Kimberly Dourado de Queiroz (Foto: Reprodução)
Liziano José Ribeiro Júnior, Diego Silva de Freitas, Gleidson Rosalen Abib e Anderson Kimberly Dourado de Queiroz (Foto: Reprodução)