Justiça condena por tráfico de drogas PM investigado por morte de casal em Abadia
Homicídio ainda tramita em segredo de Justiça
A juíza da 1ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia, Sylvia Amado Monteiro, condenou o primeiro sargento da Polícia Militar (PM) Tiago Borges Dwornik a 10 anos e 4 meses de prisão por tráfico de drogas e posse irregular de munições de armamento de uso restrito e permitido. A decisão é de terça-feira (3).
Tiago passou a ser investigado por esses crimes após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa dele, em Aparecida, por outro inquérito. Ele e outro policial eram investigados por executar um casal em 2019.
Na condenação, apesar do regime fechado previsto, o PM ficará em liberdade até o trânsito em julgado, uma vez que cabe recurso. Ele chegou a ficar três meses preso, no ano passado, após a Polícia Civil encontrar drogas, balança de precisão, notas falsas, simulacro de arma de fogo e munições diversas, mas foi liberado.
Durante a ação, a defesa tentou anular o mandado de busca, pois este foi autorizado para o caso de homicídio do casal. Porém, a magistrada afirmou que “o encontro fortuito de elementos probatórios relacionados a outros delitos, até então desconhecidos, não configura irregularidade”.
A magistrada também afastou a alegação do réu de uso pessoal. “Através da análise das provas juntadas na fase inquisitorial e nos depoimentos em sede judicial, verifico que a versão do acusado ao tentar justificar a posse dos entorpecentes no fato de possuir suposto vício não se sustenta. Tal alegação é facilmente afastada ao analisar a diversidade e a maneira do acondicionamento dos entorpecentes encontrados na residência do acusado, somada à apreensão de diversas balanças de precisão. Frise-se que foram encontradas no local maconha, cocaína e ecstasy”, escreveu.
Sobre as balanças, ele disse que pediram que as guardasse por possuir papel de relevância dentro da inteligência da PM. A magistrada não aceitou a tese. Em relação às munições, Tiago afirmou serem sobras de quando praticava tiros em estandes de treinamento. “O argumento de que as munições seriam sobras de treinamento de tiro também não merece prosperar, uma vez que a munição fornecida pelo órgão de segurança pública (PMGO) é material bélico pertencente à corporação, o que, no caso, mesmo que não sendo utilizada, configuraria possível desvio de material pertencente à Polícia Militar de Goiás.”
Sobre a investigação pela morte de Yuri Heymbeeck Coelho de Paula e Silva, o Japinha, 20, e Laryssa Eduardo dos Santos Moreira, de 17, o processo tramita em segredo de Justiça. Além de Tiago, também é investigado o terceiro sargento Paulo Henrique Aires Campos. Os corpos estavam carbonizados em um carro em uma estrada vicinal na saída para Abadia de Goiás.
O Mais Goiás não conseguiu contato com a defesa do policial. Caso haja interesse, o espaço segue aberto.
Pena
Tiago foi condenado 9 anos, 4 meses e 12 dias de reclusão, mais 1 ano e 15 dias de detenção. O total é de 10 anos, 4 meses e 27 dias de restrição de liberdade.