Justiça mantém prisão de síndico que matou corretora em Caldas Novas
Juiza também marcou audiência de instrução e julgamento para o dia 6 de maio de 2026
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, réu por matar e ocultar o corpo da corretora Daiane Alves Souza, em Caldas Novas, teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira, 12, pela juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas.
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A manutenção da prisão de Cléber é uma resposta ao pedido da defesa do síndico, que apresentou contra a acusação do Ministério Público (MP) na última quarta-feira, 11. Segundo o documento, não houve fatos novos que justificassem a soltura de Cleber, sendo que permanecem os indícios de autoria e a prova da materialidade do crime. A magistrada cita ainda que o crime foi premeditado e articulado.
“A preservação da segregação justifica-se pela garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal, haja vista o ‘modus operandi’, o planejamento, a gravidade concreta da conduta, a repercussão social e a tentativa de evasão”, diz trecho do documento.
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Na mesma decisão, a magistrada agendou a audiência de instrução e julgamento para o dia 6 de maio de 2026. Na audiência marcada para o dia 6 de maio, às 13h30, serão ouvidos depoimentos de testemunhas e informantes. Entre os convocados para depor está Maicon Douglas de Oliveira, filho do acusado, que chegou a ser preso.

Emboscada
De acordo com a acusação, o crime ocorreu na noite de 17 de dezembro de 2025, numa área de mata próxima à rodovia GO-213, entre Caldas Novas e Ipameri. O Ministério Público afirma que o acusado agiu com intenção de matar, por motivo considerado torpe, utilizando recurso que dificultou a defesa da vítima e com extrema violência. Após o assassinato, o corpo foi escondido para tentar garantir impunidade.
A denúncia descreve que o suspeito teria desligado propositalmente a energia do apartamento da corretora para atrai-la até o subsolo do prédio onde morava e trabalhava, em Caldas Novas. Desconfiada, ela chegou a gravar vídeos no celular enquanto descia para verificar o problema. Um desses registros, segundo a investigação, mostra o momento em que ela foi surpreendida por trás.
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Ainda conforme o processo, o agressor estaria usando luvas e algo semelhante a um capuz. Depois de render a vítima, ele a colocou na carroceria de uma caminhonete, levou para outro local e efetuou dois disparos na cabeça. Laudos periciais confirmaram que as fraturas ósseas são compatíveis com tiros sendo que um projétil atravessou e outro ficou alojado no crânio.
Vestígios de sangue encontrados no subsolo do edifício indicam que a vítima já estava ferida dentro do condomínio, embora os disparos não tenham sido feitos ali. O corpo só foi localizado em 28 de janeiro de 2026, mais de 40 dias depois, já em estado avançado de decomposição.

Histórico de conflitos
As investigações apontam que a corretora e o síndico tinham desentendimentos desde que ela assumiu diretamente a administração dos seis apartamentos da família, antes geridos por ele. A denúncia sustenta que Cleber passou a criar obstáculos profissionais e pessoais contra a corretora, incluindo registros policiais por ameaça, perseguição, lesão corporal e difamação, o último feito um dia antes do desaparecimento.
Uma ação judicial movida pela vítima contra o condomínio havia sido julgada procedente poucos dias antes do crime, garantindo a ela o direito de circular e trabalhar no prédio. Para o Ministério Público, a decisão teria intensificado o conflito e servido de motivação.
Risco e gravidade justificam prisão
Ao avaliar o caso, a juíza destacou que o crime foi grave e planejado e afirmou que “há prova da materialidade delitiva e indícios de autoria”, além de risco caso o acusado fique em liberdade. Segundo a magistrada, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, o andamento da investigação e a aplicação da lei penal.
A decisão também cita indícios de possível tentativa de interferência nas apurações, como áudios enviados a funcionários com orientações sobre o que dizer e falhas na entrega de imagens do sistema de monitoramento, ao qual ele teria acesso direto por ser síndico.
