EM ANDAMENTO

Justiça mantém prisão de síndico que matou corretora em Caldas Novas

Juiza também marcou audiência de instrução e julgamento para o dia 6 de maio de 2026

Síndico Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos - (Foto: Jucimar de Sousa)
Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos - (Foto: Jucimar de Sousa)

O síndico Cleber Rosa de Oliveira, réu por matar e ocultar o corpo da corretora Daiane Alves Souza, em Caldas Novas, teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira, 12, pela juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas.

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A manutenção da prisão de Cléber é uma resposta ao pedido da defesa do síndico, que apresentou contra a acusação do Ministério Público (MP) na última quarta-feira, 11. Segundo o documento, não houve fatos novos que justificassem a soltura de Cleber, sendo que permanecem os indícios de autoria e a prova da materialidade do crime. A magistrada cita ainda que o crime foi premeditado e articulado. 

“A preservação da segregação justifica-se pela garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal, haja vista o ‘modus operandi’, o planejamento, a gravidade concreta da conduta, a repercussão social e a tentativa de evasão”, diz trecho do documento.

Na mesma decisão, a magistrada agendou a audiência de instrução e julgamento para o dia 6 de maio de 2026. Na audiência marcada para o dia 6 de maio, às 13h30, serão ouvidos depoimentos de testemunhas e informantes. Entre os convocados para depor está Maicon Douglas de Oliveira, filho do acusado, que chegou a ser preso.

Síndico acusado de matar corretora foi transferido para Caldas Novas
Síndico Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, e a corretora Daiane Alves – (Foto: Jucimar de Sousa/Reprodução)

Emboscada

De acordo com a acusação, o crime ocorreu na noite de 17 de dezembro de 2025, numa área de mata próxima à rodovia GO-213, entre Caldas Novas e Ipameri. O Ministério Público afirma que o acusado agiu com intenção de matar, por motivo considerado torpe, utilizando recurso que dificultou a defesa da vítima e com extrema violência. Após o assassinato, o corpo foi escondido para tentar garantir impunidade.

A denúncia descreve que o suspeito teria desligado propositalmente a energia do apartamento da corretora para atrai-la até o subsolo do prédio onde morava e trabalhava, em Caldas Novas. Desconfiada, ela chegou a gravar vídeos no celular enquanto descia para verificar o problema. Um desses registros, segundo a investigação, mostra o momento em que ela foi surpreendida por trás.

Ainda conforme o processo, o agressor estaria usando luvas e algo semelhante a um capuz. Depois de render a vítima, ele a colocou na carroceria de uma caminhonete, levou para outro local e efetuou dois disparos na cabeça. Laudos periciais confirmaram que as fraturas ósseas são compatíveis com tiros sendo que um projétil atravessou e outro ficou alojado no crânio.

Vestígios de sangue encontrados no subsolo do edifício indicam que a vítima já estava ferida dentro do condomínio, embora os disparos não tenham sido feitos ali. O corpo só foi localizado em 28 de janeiro de 2026, mais de 40 dias depois, já em estado avançado de decomposição.

Perícia do caso de corretora morta em Caldas Novas teve disparos de armas de fogo Corpo de Daiane Alves Souza foi encontrado após 42 dias
Síndico Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, preso após confessar o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, em Caldas Novas (Foto: Jucimar de Sousa)

Histórico de conflitos

As investigações apontam que a corretora e o síndico tinham desentendimentos desde que ela assumiu diretamente a administração dos seis apartamentos da família, antes geridos por ele. A denúncia sustenta que Cleber passou a criar obstáculos profissionais e pessoais contra a corretora, incluindo registros policiais por ameaça, perseguição, lesão corporal e difamação, o último feito um dia antes do desaparecimento.

Uma ação judicial movida pela vítima contra o condomínio havia sido julgada procedente poucos dias antes do crime, garantindo a ela o direito de circular e trabalhar no prédio. Para o Ministério Público, a decisão teria intensificado o conflito e servido de motivação.

Risco e gravidade justificam prisão

Ao avaliar o caso, a juíza destacou que o crime foi grave e planejado e afirmou que “há prova da materialidade delitiva e indícios de autoria”, além de risco caso o acusado fique em liberdade. Segundo a magistrada, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, o andamento da investigação e a aplicação da lei penal.

A decisão também cita indícios de possível tentativa de interferência nas apurações, como áudios enviados a funcionários com orientações sobre o que dizer e falhas na entrega de imagens do sistema de monitoramento, ao qual ele teria acesso direto por ser síndico.

Imagem da vítima
Laudo necroscópico definiu como Daiane Alves foi assassinada (Foto: reprodução / redes sociais)