PERÍCIA

Laudo aponta que manutenção inadequada de enceradeira causou morte por choque em Goiânia

Empresa responsável pelo aluguel do equipamento usado durante o acidente entrou na mira da Polícia Civil de Goiás

Laudo aponta que manutenção inadequada e corte de aterramento causaram morte por choque em Goiânia
Laudo aponta que manutenção inadequada e corte de aterramento causaram morte por choque em Goiânia (Foto: Reprodução - SPTC)

Laudo da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) indicou que a morte de um homem de 43 anos, eletrocutado enquanto lavava a piscina de sua casa, em Goiânia, com uma enceradeira alugada, ocorreu devido à manutenção inadequada do equipamento, bem como do corte do cabo de aterramento e substituição do plugue original. O óbito ocorreu em 1º de novembro de 2025 e a empresa responsável pelo aluguel entrou na mira da Polícia Civil de Goiás (PCGO).

“A vítima sofreu uma descarga elétrica devido ao contato com a superfície externa da enceradeira. A falha que provocou esta energização foi produzida por uma manutenção inadequada da enceradeira, permitindo que a camada de isolamento feita em uma emenda de cabos elétricos se soltasse, expondo os elementos condutivos dos cabos, os quais entraram em contato com a carcaça do equipamento, energizando toda a superfície externa da enceradeira”, detalha trecho da conclusão da perícia.

“Além dessa falha, ressalta-se que a energização permaneceu na carcaça do equipamento devido à supressão do sistema de aterramento de proteção da enceradeira. Tal supressão foi produzida deliberadamente pelo corte do cabo de aterramento no interior do compartimento de ligação elétrica da enceradeira e pela substituição do plugue original por um plugue com apenas dois pinos, isto é, sem a presença de aterramento de proteção”, continua.

Inclusive, o laudo reforça que, apesar da falha, o equipamento continuou a funcionar. Informou, ainda, que uma “emenda feita entre um dos cabos de alimentação do equipamento com um dos cabos do motor do equipamento”, por meio de fita isolante, se soltou.

A residência, inclusive, possuía sistema de aterramento disponível. “Dessa forma, caso a enceradeira estivesse com o aterramento de proteção em funcionamento, como é exigido pela norma de equipamentos, a energia teria desligado antes do contato da vítima com o equipamento energizado.”

O Mais Goiás noticiou, na terça-feira (27), com exclusividade, que a empresa foi alvo de uma operação. Inicialmente, a corporação apurava o óbito como morte acidental, mas perícias realizadas no equipamento apontaram falhas técnicas e irregularidades de segurança, como a exposição de fios – fato que fez com que a empresa passasse a ser investigada por homicídio culposo.

“A enceradeira havia sido alugada no mesmo dia e, segundo o laudo pericial, estava com a retirada proposital do sistema de aterramento, que é justamente o mecanismo que impede que a parte metálica do equipamento fique energizada. Com isso, a carcaça da máquina ficou eletrificada”, afirmou o delegado Alex Rodrigues.

“Diante dessas conclusões, a Polícia Civil instaurou inquérito por homicídio culposo, para apurar a responsabilidade dos responsáveis pela empresa que colocou em circulação um equipamento sem condições mínimas de segurança. É um caso que chama atenção porque revela um risco invisível, que é um equipamento aparentemente comum, mas que, por falha técnica, acabou se transformando em uma armadilha fatal”, concluiu.