Mancha rosa avança em córrego um dia após carreta com produtos químicos pegar fogo na BR-153
Motorista não tinha curso para transportar carga perigosa. Semad notificou transportadora, recomendou suspensão da captação de água e informou que empresa de mitigação ambiental foi contratada
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A mancha rosa provocada pelo derramamento de produtos químicos após o incêndio de uma carreta na BR-153, em Professor Jamil, continua tomando conta de um córrego afluente do Rio Dourados nesta terça-feira (28), um dia depois do acidente. Enquanto técnicos monitoram a contaminação, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o motorista não tem curso obrigatório para conduzir cargas perigosas. Já a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) notificou a transportadora e confirmou que a empresa contratou uma equipe especializada para iniciar a redução dos danos ambientais.
Imagens feitas no local mostram que a água permanece com coloração rosa e que a mancha segue descendo pelo curso do córrego em direção ao Rio Dourados. Segundo técnicos da Saneago, ainda há cerca de dois quilômetros até que o material alcance o rio, mas o avanço continua sendo acompanhado de perto.
O acidente aconteceu na tarde de segunda-feira (27), quando uma carreta que transportava produtos químicos pegou fogo na BR-153. De acordo com a PRF, as chamas começaram no reboque e o motorista conseguiu desacoplar o cavalo mecânico antes que todo o veículo fosse consumido pelo incêndio. Apesar do susto, ele não ficou ferido.

Durante a vistoria, policiais identificaram que a carga incluía ácido sulfúrico e outros produtos químicos utilizados na fabricação de produtos de limpeza. O material escorreu pela pista, alcançou a rede de drenagem e acabou contaminando o córrego.
Além disso, a PRF informou que o condutor não possuía o curso exigido para o transporte de produtos perigosos. As circunstâncias do acidente ainda serão investigadas.

A Semad informou que a carreta também transportava fenol, ácido sulfônico e ácido fosfórico, substâncias que apresentam potencial de causar impactos ambientais em caso de derramamento. A transportadora, sediada em São Paulo, foi identificada e notificada para executar imediatamente as ações de contenção, mitigação e recuperação da área atingida.
Segundo a pasta, até as 15h05 desta terça-feira, nenhuma medida emergencial havia sido adotada pela empresa para impedir que os produtos continuassem descendo pelo curso d’água. Pouco depois, porém, a transportadora comunicou ao órgão ambiental que contratou uma empresa especializada em mitigação de danos ambientais, que já seguia para o local para iniciar os trabalhos.
Captação de água interrompida
Como medida preventiva, a Saneago interrompeu a captação de água no trecho afetado. A Semad também recomendou a suspensão de todas as captações superficiais no Rio Dourados e no Córrego Pernambuco, em todos os pontos localizados abaixo da área do acidente, até que análises confirmem a segurança da água.
Apesar da interrupção da captação no local atingido, a Saneago informou que possui alternativas para manter o abastecimento da população sem interrupções, neste momento.
Equipes da Semad permanecem na região monitorando a qualidade da água e fiscalizando o cumprimento das medidas determinadas à transportadora. A secretaria informou que só considerará a ocorrência encerrada após a completa recuperação da área e a comprovação de que não há mais riscos ao meio ambiente.
O incêndio também interditou parte da BR-153 por mais de três horas e causou um longo congestionamento entre Professor Jamil e Goiânia. Após o combate às chamas, o Corpo de Bombeiros realizou a limpeza da pista e construiu pequenas barreiras na canaleta pluvial para tentar reduzir o avanço dos resíduos químicos até o córrego.