Médicos da rede municipal de Goiânia aprovam paralisação para 13 de janeiro
Atendimentos de urgência e emergência serão mantidos
O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) informou, em nota, que os médicos credenciados vinculados à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia vão fazer uma paralisação nos atendimentos a partir da 0h da próxima terça-feira (13) por tempo indeterminado. A categoria alega “persistência de graves problemas que afetam as condições de trabalho e a assistência prestada à população”. Entre as reivindicações estão:
- Garantia de condições dignas de trabalho;
- Disponibilização de recursos humanos e materiais adequados nas unidades de saúde;
- Garantia de regularidade e previsibilidade dos pagamentos, evitando a repetição de atrasos que já afetaram os profissionais;
- Manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024; e
- Revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025, que promove redução de até 35% nos honorários médicos e prevê jornadas de trabalho de até 24 horas contínuas, sem descanso adequado.
A decisão ocorreu em assembleia-geral extraordinária permanente, na terça-feira (6), após a “ausência de respostas efetivas por parte da administração municipal às demandas apresentadas e visa alertar sobre a precarização crescente do trabalho médico e seus reflexos diretos na qualidade da assistência à saúde”. O sindicato esclarece que os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, mas os demais serão retomados apenas após o atendimento integral das demandas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) reforçou que, em razão da natureza essencial dos serviços, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. Informou, ainda, que o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado e é embasado por estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia.
“A pasta esclarece que, tanto no edital antigo quanto no novo, o pagamento de profissionais credenciados é previsto no 20º dia útil do mês subsequente e que não há atualmente repasses em atraso. A secretaria ressalta que são os médicos, no ato da contratação, que optam pela carga horária desejada. O credenciamento estabelece limite máximo de 24h para plantões médicos, previsto na legislação brasileira e recomendado pelo Conselho Federal de Medicina, resguardando os períodos de descanso dos profissionais”, detalhou a SMS.
Presidente do Simego, Franscine Leão informou que enviou um ofício, na quarta-feira (7), convidando a prefeitura para negociar, mas ainda não obteve resposta. Disse ainda, que, embora o município alegue na nota que o salário é previsto para o 20º dia útil subsequente, os profissionais receberam o salário de dezembro apenas ontem.
Presidente do Simego
Franscine disse ao Mais Goiás que, atualmente, os profissionais trabalham em unidades superlotadas, sem estrutura, sem insumos, expostos à violência e à sobrecarga, enquanto a gestão insiste em impor contratos cada vez mais precários. “O Edital 003 de 2025 é um exemplo claro disso. Ele reduz honorários em até 35%, prevê jornadas exaustivas de até 24 horas seguidas e ignora completamente o controle social e a realidade de quem está na linha de frente. Isso não é gestão responsável, é precarização do trabalho médico e risco direto à população”, critica.
Além disso, afirma que os atrasos nas remunerações são recorrentes e o que a categoria exige é previsibilidade, respeito e segurança. “Médico não pode trabalhar sem saber quando vai receber.” Ainda segundo ela, o Simego segue aberto ao diálogo, mas não aceitará retrocessos. “Respeitar o médico é respeitar o SUS. E essa luta vai continuar enquanto for necessário.”