CRIME ORGANIZADO

Megaoperação mira agiotas do CV em Goiás e outros quatro estados

Faccionados agiam como agiotas e cobravam juros altos de comerciantes. Cobranças eram feitas por 'disciplinas'

Policiais rendendo faccionado do CV (Foto: divulgação/PCMT)
Policiais rendendo faccionado do CV (Foto: divulgação/PCMT)

Policiais civis foram às ruas de Goiás, Mato Grosso e outros três Estados durante megaoperação que cumpriu 471 mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho. De acordo com a corporação, os faccionados estão ligados a crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial.

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Ao todo, foram cumpridos 225 ordens judiciais de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste (MT). A ação desta quarta-feira, 15, de acordo com a PCMT, buscou desarticular a estrutura do CV nos Estados, a fim de interromper o fluxo financeiro ilícito da organização e reduzir o poder de atuação do grupo.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Primavera do Leste foram iniciadas há pouco mais de um ano, tendo êxito em identificar a existência de um grupo articulado do CV, com divisão de funções, hierarquia interna, controle financeiro e logística própria.

Conforme a corporação, o grupo atuava de forma estruturada, mantendo um sistema próprio de arrecadação de valores, repasses financeiros e cobrança de dívidas ilícitas, além da organização do comércio de entorpecentes e da imposição de regras internas, com indícios de envolvimento em crimes como extorsão, tráfico de drogas, lavagem de capitais e associação criminosa.

Criminosos agiotas 

A PC identificou ainda movimentações financeiras compatíveis com a prática de lavagem de capitais, sendo que os valores oriundos do tráfico de drogas não eram utilizados apenas para a aquisição de entorpecentes, mas também para a realização de empréstimos informais a terceiros. Os principais devedores são comerciantes, que eram extorquidos por meio de juros abusivos.

O esquema, de acordo com a PC, era supervisionado por membros de maior escalão, identificados como responsáveis externos pelo financiamento ilegal. As cobranças contavam com o respaldo do “quadro de disciplina” da facção, que articulava represálias e até sequestros contra agiotas independentes.

O delegado Rodolpho Bandeira, responsável pelas investigações, afirmou que a corporação segue com o trabalho e que todo o material apreendido será analisado para subsidiar novos procedimentos, identificar outros envolvidos e aprofundar a responsabilização criminal e patrimonial dos integrantes da organização.

“A operação, com grande número de mandados e suspeitos identificados, representa um passo importante no combate ao crime organizado, na proteção da sociedade e no enfrentamento às facções criminosas que buscam se estruturar no interior do Estado e expandir sua atuação para outras unidades da federação”, concluiu.