Morador de Águas Lindas é o principal suspeito de série de mortes em UTI de Taguatinga no DF
Investigação aponta que ele fraudou credenciais de médicos para prescrever remédios potencialmente letais
Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, técnico de enfermagem de Águas Lindas em Goiás, é apontado como principal suspeito de provocar a morte de três pacientes na UTI de um hospital particular em Taguatinga, Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, ele, que foi preso com duas colegas, teria aplicado substâncias inadequadas nas veias das vítimas, incluindo detergente e medicamentos incompatíveis com tratamentos. Além das três mortes confirmadas, pelo menos outros 20 óbitos estão sendo investigados na mesma unidade.
O delegado Mauricio Iacozilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa da PCDF, explicou que a sequência criminosa começou com uma fraude no sistema do hospital. Marcos Vinícius acessou computadores utilizados por médicos e, usando credenciais de dois profissionais diferentes, falsificou receitas para prescrever um medicamento de alto risco.

De posse das receitas adulteradas, ele retirou a medicação na farmácia da UTI e seguiu para a chamada “ilha de preparação”, onde encheu seringas de forma irregular, chegando a escondê-las no bolso. Segundo o investigador, a prática é totalmente inadequada em ambiente de terapia intensiva, onde todos os medicamentos devem permanecer visíveis e identificados.
Segundo o delegado, o técnico simulava procedimentos de reanimação enquanto aplicava os medicamentos, dando a impressão de que os óbitos poderiam ter causas naturais. Ele estava sempre acompanhado das técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, que também foram presas e são investigadas como possíveis coautoras. As prisões cautelares ocorreram nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
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Mortes registradas como naturais
Inicialmente, as mortes foram registradas como naturais, mas a investigação interna do hospital identificou padrões incomuns que levaram à instauração do inquérito policial. A instituição solicitou a apuração e colaborou para a adoção das medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados do hospital.
As vítimas confirmadas até o momento são:
- Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada da Regional de Ensino de Ceilândia
- João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), morador do Riacho Fundo
- Marcos Raimundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor dos Correios, morador de Brazlândia
Suspeitos negam os fatos
De acordo com as investigações, os três suspeitos inicialmente negaram os fatos, mas, confrontados com as provas, acabaram confirmando. Segundo o delegado, eles se mantiveram frios diante da gravidade da situação e até o momento não forneceram detalhes ou justificativas para as ações. A polícia continua investigando o caso.
Hospital e profissionais lamentam o caso
Por nota o hospital disse que manteve contato com as famílias das vítimas e informou que o caso tramita em segredo de justiça, o que impede a divulgação de informações adicionais ou a identificação de outras partes envolvidas. A instituição afirmou que se considera vítima da ação dos ex-funcionários e que está colaborando com as autoridades.
O Sindicato dos Técnicos de Enfermagem (SINDATE) também se pronunciou por nota lamentando o caso envolvendo os três técnicos de enfermagem presos no Hospital Anchieta e se colocou à disposição para prestar apoio às famílias das vítimas. O sindicato ressaltou que o caso ainda está sob investigação e não é possível emitir posicionamento conclusivo neste momento.
Leia na íntegra a nota do Hospital Anchieta:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.”
Leia na íntegra a nota do Sindicato dos Técnicos de Enfermagem (SINDATE):
“O Sindicato dos Técnicos de Enfermagem (SINDATE) vem a público lamentar profundamente o ocorrido envolvendo três técnicos de enfermagem presos sob acusação de morte de pacientes no Hospital Anchieta, manifestando solidariedade aos familiares das vítimas. A entidade esclarece que tomou conhecimento do caso por meio da mídia, quando os profissionais já se encontravam sob custódia.
Diante disso, o sindicato se coloca à disposição para prestar o apoio necessário, respeitando os limites legais e institucionais de sua atuação. Ressaltamos que o caso encontra-se sob investigação pelas autoridades competentes, não sendo possível qualquer posicionamento conclusivo neste momento.
O SINDATE reafirma seu compromisso com a ética, a valorização dos profissionais da enfermagem e o respeito à vida, confiando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.”
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