MPF investiga irregularidades no programa Brasil Sorridente em Hidrolândia
A investigação começou após publicações de reportagens sobre caso de pacientes que aguardam seis meses para conclusão no tratamento odontológico
Ir direto pra matériaO Ministério Público Federal (MPF) vai investigar supostas irregularidades na execução do Programa Brasil Sorridente, em Hidrolândia, no Centro de Goiás. A instauração do Procedimento Preparatório (PP) para apurar ações ou omissões ilícitas começou após a veiculação de notícias da imprensa que mostravam que mais de mil pessoas teriam iniciado tratamentos odontológicos sem que houvesse a conclusão. Além disso, declarações prestadas pelo município justificaram o não atendimento dos pacientes e a falta de repasses financeiros do Ministério Público da Saúde desde o mês de janeiro de 2018.
Em alguns dos tratamentos, os pacientes colocaram pinos na boca, mas não receberam os implantes dentários. Eles esperam há seis meses a conclusão do tratamento, alguns sem conseguir comer direito.
O procurador da República Ailton Benedito de Souza, responsável pela apuração dos fatos, oficiou ao município e ao Ministério da Saúde requisitando esclarecimentos quanto à execução do Programa Brasil Sorridente nos anos de 2017/2018. O MPF quer informações sobre as atribuições do município e do ministério na execução do programa; a discriminação de todas as verbas repassadas ao município e as atividades já executadas; a periodicidade dos repasses das verbas e os motivos da suposta suspensão desses repasses.
Ailton questionou ainda quais as providências que serão adotadas quanto aos pacientes que iniciaram o tratamento e aguardam, por tempo indeterminado, a sua conclusão. O município e o Ministério da Saúde têm o prazo de cinco dias para prestar as informações ao MPF.
O Mais Goiás entrou em contato por telefone com a prefeitura de Hidrolândia, mas até o fechamento desta matéria, não tivemos nenhuma das ligações atendidas. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o município enviou à pasta, em abril de 2018, ofício solicitando alternativa de solução para o pagamento do serviço de implantodontia na rede municipal de saúde e das respectivas próteses sobre implante dentário. “Em resposta ao ofício, o Ministério da Saúde solicitou complementação das informações, que só foram enviadas em junho de 2018. A solicitação encontra-se em análise pela pasta, que, após aprovação, irá destinar recursos federais para custear os procedimentos de implantes e próteses sobre implante”, diz o texto.
Confira a nota na íntegra:
O Ministério da Saúde esclarecer que o município enviou à pasta, em abril de 2018, ofício solicitando alternativa de solução para o pagamento do serviço de implantodontia na rede municipal de saúde e das respectivas próteses sobre implante dentário. Em resposta ao ofício, o Ministério da Saúde solicitou complementação das informações, que só foram enviadas em junho de 2018. A solicitação encontra-se em análise pela pasta, que, após aprovação, irá destinar recursos federais para custear os procedimentos de implantes e próteses sobre implante.
O Manual de Especialidades em Saúde Bucal relata que a reabilitação total por meio de implantes deve ocorrer através da instalação de, no mínimo, dois e, no máximo, quatro implantes com tratamento de superfície e no período posterior de quatro a seis meses, a depender do caso clínico. Portanto, espera-se que a oferta desses serviços seja priorizada para a população de desdentados totais e que não possuem condição anatômica para permanência e adaptação das próteses totais convencionais, cumprindo o propósito de ajustar a prestação desse serviço ao princípio da equidade que preza pela justiça social e insere a atenção aos mais necessitados, reconhecendo diferenças e oferecendo mais a quem mais precisa de cuidados. Além de adequar a execução do tratamento de implante/prótese sobre implante ao preceito de efetividade da administração pública.