Mulher de Goiânia relata susto ao descobrir que tinha lúpus: ‘senti medo imediato’
Caso mostra como tratamento individualizado e intervenção precoce podem mudar prognóstico da doença autoimune
A servidora pública Gabriella Rodrigues, moradora de Goiânia, descobriu que tinha lúpus depois de ser internada com tromboembolismo pulmonar grave, condição em que um coágulo se forma na veia, se solta e entope um vaso do pulmão, o que pode ser fatal. O diagnóstico veio apenas após uma sequência de sintomas ignorados e um atendimento inicial equivocado. Hoje, com tratamento personalizado, ela vive sem dor e com a doença controlada.
“Quando ouvi o nome lúpus pela primeira vez, senti medo imediato. Pesquisei e só apareciam casos graves. Achei que ia morrer”, relata. Antes disso, ela havia sentido fraqueza, dor de cabeça e inchaço na perna, diagnosticado como trombose. Dias depois surgiram dores intensas nas costas e falta de ar. “Na primeira consulta disseram que eram gases e me mandaram para casa. Naquele momento eu já estava com embolia pulmonar”.
Casos como o dela ganham ainda mais relevância durante o Fevereiro Roxo, período dedicado à conscientização sobre doenças crônicas, quando especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce.
Internada por 11 dias, exames revelaram sinais clássicos da doença: anemia, lesões na pele, úlceras, dores articulares e a característica mancha avermelhada no rosto. O tratamento foi definido de forma individualizada com corticoides, imunossupressores e hidroxicloroquina, uma combinação escolhida de acordo com o quadro específico dela.
“Cada organismo reage de um jeito. No meu caso, essa combinação funcionou muito bem. O simples fato de acordar sem dor hoje já é algo que mudou minha vida”, afirma.
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Medicina personalizada muda o rumo da doença
Segundo o reumatologista Marco Felipe, professor do Instituto de Educação Médica (Idomed), a estratégia adotada no caso dela segue o que há de mais recomendado atualmente. “O lúpus é crônico, autoimune e sistêmico. Cada paciente apresenta manifestações diferentes, então o tratamento precisa ser construído com base nos sintomas, exames e gravidade do comprometimento orgânico”.
Ele explica que não existe um teste único que confirme a doença. O diagnóstico depende da análise conjunta de sinais clínicos e exames laboratoriais. Alterações renais, hematológicas ou neurológicas, por exemplo, determinam a intensidade da terapia. “Nos quadros mais graves, a abordagem direcionada permite intervir rápido, preservar órgãos e evitar sequelas irreversíveis”.

Um exemplo é a nefrite lúpica, inflamação renal causada pela doença. Quando identificada cedo, pode ser revertida e impedir falência renal e necessidade de diálise.
Tratamento disponibilizado pelo SUS
O especialista afirma que, com acompanhamento contínuo e adesão ao tratamento, a maior parte dos pacientes consegue atingir a remissão, fase em que a doença permanece controlada e com baixo risco de reativação. Isso inclui uso regular de medicamentos, proteção solar, vacinação atualizada e monitoramento médico.
Vale ressaltar que lúpus não tem cura e grande parte das terapias já está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), embora ainda existam barreiras como acesso a exames especializados e centros de infusão para certos medicamentos.
Pesquisas recentes também apontam novas possibilidades terapêuticas, inclusive terapias celulares e biomarcadores capazes de antecipar o diagnóstico e personalizar ainda mais o tratamento.
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“A doença não me parou”
Hoje, Gabriella resume a experiência como uma virada de consciência. “Aprendi a me priorizar e a cuidar da minha saúde sem medo do que os outros pensam. O lúpus não me impediu de viver, ele me ensinou a viver melhor”.
Para quem recebe o diagnóstico agora, ela deixa um recado direto: “Não tenha medo de seguir o tratamento. Ele funciona. A doença não define quem você é”.