Mulher que usou fotos de idosos para contratar empréstimos sem autorização é condenada em Morrinhos
Fraude atingiu nove pessoas, principalmente idosos e pessoas vulneráveis. Condenada também terá de pagar pelo menos R$ 45 mil em indenizações às vítimas
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Uma ex-funcionária de um correspondente bancário de Morrinhos, na região Sul de Goiás, foi condenada a 13 anos, 10 meses e 20 dias de prisão por usar documentos e fotos de clientes para contratar empréstimos sem autorização. O esquema atingiu nove pessoas, a maioria idosos ou em situação de vulnerabilidade, e envolvia a abertura de contas digitais em nome das vítimas para receber o dinheiro obtido nas fraudes. A condenação foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e se tornou definitiva em outubro de 2026, sem possibilidade de novos recursos.
De acordo com o processo, a mulher aproveitava o trabalho no correspondente bancário para conseguir documentos pessoais e fotografias dos clientes. Ela dizia que as informações seriam usadas em procedimentos de reconhecimento facial, simulações ou contratações regulares de crédito. Depois, utilizava os dados sem o conhecimento das vítimas para abrir contas digitais, fazer empréstimos e transferir os valores para a própria conta.
Em alguns casos, as fraudes só foram descobertas quando os clientes perceberam descontos desconhecidos em seus benefícios previdenciários. Como os valores eram destinados ao sustento das vítimas, a Justiça considerou o impacto financeiro dos crimes na definição da pena.
A ex-funcionária foi condenada por furtos qualificados mediante fraude. Além da pena de prisão, em regime inicialmente fechado, a sentença estabeleceu o pagamento de indenização mínima de R$ 5 mil para cada vítima, somando pelo menos R$ 45 mil.
Tribunal manteve a condenação
A defesa recorreu da decisão, mas a 3ª Câmara Criminal do TJGO manteve integralmente a sentença. O processo transitou em julgado em outubro de 2026, o que significa que não cabe mais recurso contra a condenação.
Ao definir a pena, a juíza Shauhanna Oliveira de Sousa Costa, da 2ª Vara Criminal de Morrinhos, considerou que a mulher abusou da confiança dos clientes e utilizou informações obtidas durante o exercício da profissão para cometer as fraudes.
A repetição das operações criminosas também pesou na decisão. Por entender que os crimes foram praticados de forma continuada, a magistrada aplicou o aumento máximo previsto para esse tipo de situação.
Como evitar golpes com empréstimos
O caso serve de alerta para quem precisa apresentar documentos ou fazer reconhecimento facial durante um atendimento financeiro. Antes de fornecer fotos, documentos ou outros dados pessoais, é importante confirmar diretamente com a instituição financeira para que as informações serão utilizadas.
Também é recomendável pedir uma cópia de qualquer contrato assinado ou operação realizada e conferir se os valores, as condições e o tipo de serviço correspondem ao que foi autorizado. Senhas e códigos de autenticação não devem ser compartilhados sem a confirmação da legitimidade da solicitação.
Aposentados e pensionistas devem acompanhar regularmente os extratos bancários e do benefício previdenciário. Empréstimos, parcelas ou descontos desconhecidos podem indicar uma operação feita sem consentimento.
Ao identificar uma movimentação suspeita, a orientação é entrar em contato com a instituição financeira, registrar uma reclamação e comunicar o caso para a Polícia Civil. Familiares também podem ajudar idosos a verificar extratos e identificar cobranças que não reconhecem.