INQUÉRITO CONCLUÍDO

Itumbiara: homem enviou fotos dos filhos e disse que vida da esposa ‘viraria inferno’

Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas, entre elas o frentista que vendeu gasolina a Thales e o detetive contratado

Thales Machado (Foto: Reprodução)

Investigações da Polícia Civil de Goiás (PCGO) revelaram que o então secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, enviou fotos dos filhos dormindo e fez ameaças à esposa, Sarah Tinoco Araújo, momentos antes de matar as crianças e tirar a própria vida no dia 12 de fevereiro. Segundo a linha do tempo apresentada pela corporação, por volta das 19h, um detetive particular contratado por ele informou que havia conseguido imagens da mulher acompanhada de outro homem, em São Paulo. Embora o material só tenha sido encaminhado mais tarde, a notícia teria sido suficiente para desencadear uma escalada de tensão entre o casal.

Conforme as apurações, o investigado passou a telefonar repetidamente para a companheira. A última chamada de vídeo ocorreu às 20h39. Durante a conversa, houve discussão, e ele teria a ameaçado, afirmando que a vida dela “viraria um inferno”. Depois disso, Sarah deixou de atender às ligações.

Antes dos disparos, o homem enviou à esposa uma imagem dos meninos dormindo, acompanhada de mensagens com teor intimidatório, indicando que poderia feri-los.

De acordo com a cronologia:

  • 20h39: fez chamada de vídeo e ameaçou a companheira.
  • 22h50: recebeu as imagens da mulher com um terceiro.
  • 23h36: tentou contato pela última vez, sem sucesso.
  • 23h39: publicou foto em tom de despedida com as crianças nas redes sociais.
  • 23h39 a 0h: intervalo em que os homicídios e o suicídio teriam ocorrido.

A corporação aponta que os disparos ocorreram entre 23h39 e meia-noite. O avô dos meninos chegou à residência por volta da 0h e encontrou o imóvel fechado, sem sinais de arrombamento. Ao entrar com a senha que possuía, localizou as vítimas e o autor.

A perícia constatou que cada criança foi atingida por um tiro na região da têmpora direita. A posição dos corpos e os vestígios indicam que estavam deitados e dormindo quando foram baleados. Foi utilizada uma pistola calibre .380 registrada em nome do investigado.

De acordo com a investigação, não havia qualquer indício de arrombamento, invasão ou tentativa de fuga no imóvel. Também não foram encontrados sinais de briga, luta corporal ou objetos quebrados que indicassem confronto. No interior da residência, os peritos localizaram quatro galões de gasolina despejados pelo próprio Thales, o que aponta para a possível intenção de provocar um incêndio. No entanto, por motivos ainda desconhecidos, o fogo não foi iniciado. Ao lado da cama do autor, foi encontrado um isqueiro, que não chegou a ser acionado.

Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas, entre elas o frentista que vendeu gasolina a Thales e o detetive contratado. Imagens de câmeras de segurança e comprovantes de transferências via Pix foram anexados ao inquérito para comprovar a sequência dos acontecimentos.

Com a morte do autor, a Polícia Civil sugeriu o arquivamento do procedimento com base na extinção da punibilidade prevista no Código Penal. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.