Sábado, 01 de Agosto de 2026
Possível homicídio

Novo inquérito irá apurar causa da morte de estudante estuprada em UTI de Hospital

Suzy Nogueira Calvalcante morreu após ficar dez dias internada na unidade. Objetivo é saber se a jovem foi vítima de homicídio culposo ou doloso

Por - Goiânia, GO
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Um novo inquérito para investigar a causa da morte da estudante de arquitetura Suzy Nogueira Cavalcante, de 21 anos, será aberto pela Polícia Civil. A jovem foi estuprada dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Goiânia Leste (HGL) e morreu após ficar dez dias internada. De acordo com a administração da unidade, a jovem morreu em decorrência de uma pneumonia hospitalar. As investigações ficarão sob responsabilidade do delegado Washington da Conceição, do 9º Delegacia de Polícia, distrital que abrange a área onde está situado hospital.

Washington afirma ainda não ter os autos em mãos e que não poderia dar detalhes das apurações para que as revelações não prejudiquem o serviço. Por outro lado, ele confirmou que uma das linhas de investigação se estende sobre a possibilidade de a jovem ter sido vítima de homicídio culposo ou doloso.”Vou começar tudo novamente. Ouvirei todos os envolvidos, funcionários do hospital, diretores, família. Vamos começar do zero até porquê o inquérito sobre o estupro já foi encerrado. Esse será para constatar a vertente da morte da estudante”, explica.

Mais cedo, ao Mais Goiás, o advogado da família de Suzy, Darlan Alves Ferreira, destacou que confecciona um requerimento com os motivos que julga necessários para continuar o andamento do inquérito. Para não atrapalhar a apuração, ele também preferiu não revelá-los à reportagem. “A decisão da investigação ou não é deles. Mas acho que ainda tem muita coisa que ainda precisa ser esclarecida e por isso que apresentarei o requerimento”, destaca.

O advogado da Supreme Care/OGTI – empresa responsável pela UTI no Goiânia Leste -, Carlos Márcio Rissi Macedo, comentou o caso. “Aguardamos com tranquilidade os desdobramentos”.

Relembre o caso

A estudante deu entrada na unidade no último 16 de maio após apresentar um crise convulsiva. A jovem, então, teve que ficar internada e, segundo a titular da Delegacia Estadual de Proteção à Mulher (Deam), Paula Meotti, foi estuprada naquele mesmo dia. O suspeito do crime, o técnico de enfermagem Ildson Custódio Bastos, de 41 anos, está preso preventivamente desde que se apresentou de forma espontânea à delegacia. Ele nega o crime.

Em coletiva de imprensa, o pai da jovem questionou a atuação da Polícia Civil diante do caso. Ele destaca que foi avisado do estupro no momento do velório da filha. Para ele, a delegada poderia ter feito alguma coisa para impedir que o pior acontecesse no dia em que recebeu a denúncia. “Ela estava documentada, era só ir e resolver a situação da minha filha. Era só solicitar uma transferência de hospital e comunicar os familiares do ocorrido”, questionou o policial aposentado.

Paula Meotti rebateu as acusações e declarou que fez tudo o que estava ao alcance da corporação e que a mesma não tem autoridade para retirar nenhum paciente do hospital. “O próprio hospital nos procurou para relatar o ocorrido. Eu não posso me responsabilizar pela morte da filha dele. Eu cumpri com minhas obrigações como delegada de investigação de autoria e materialidade e representei pela prisão preventiva do suspeito. Quanto à internação da vítima, cabia ao pai decidir em transferi-la de unidade”, comentou a delegada.

Diversos amigos e familiares realizaram protesto nesta segunda-feira (3) na porta da unidade para cobrar justiça pela morte da estudante. No local, os manifestantes levaram cartazes e cantaram várias músicas religiosas para lembrar a morte da garota. Esse foi o segundo ato em prol da memória de Suzy. No último dia 30 de maio, estudantes de arquitetura se reuniram no Teatro de Arena da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) – instituição que a jovem estudava – para lembrar o caso.

Estudantes e familiares de Susy organizaram manifestação em frente ao Hospital Goiânia Leste (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Estudantes e familiares de Susy organizaram manifestação em frente ao Hospital Goiânia Leste (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

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