'Para economizar'

Ônibus que tombou deixando 22 feridos na Bahia é flagrado em Goiânia rodando como “sucata”

Motorista confessou aos agentes que dirigia o veículo desde a Bahia por ordem da empresa, que se recusou a pagar pelo transporte adequado

Imagem do ônibus que circulava
Mesmo com vidros estilhaçados, sem retrovisor e com danos graves na estrutura, o veículo fazia o trajeto de volta para Goiás (Divulgação: PRF)

Dez dias após o acidente que deixou 22 pessoas feridas em São Desidério (BA), o ônibus envolvido na ocorrência foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentando completar uma viagem clandestina de retorno e desrespeitando as normas de segurança viária. Durante a abordagem na noite de sexta-feira (13/2), na unidade operacional do Parque Ecológico, em Goiânia, o motorista confessou aos agentes que dirigia o veículo desde a Bahia por ordem da empresa, que se recusou a pagar pelo transporte adequado via guincho para economizar com logística.

De acordo com a PRF, o coletivo circulava em total precariedade, sem o retrovisor esquerdo, com todas as janelas laterais estilhaçadas e o para-brisa superior severamente danificado. Além disso, a proteção do motor estava destruída e diversas lâmpadas estavam queimadas, impossibilitando qualquer sinalização básica de segurança.

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A viagem perigosa teve início após o acidente ocorridoem 11 de fevereiro, no km 139 da BR-020, em São Desidério (BA). Na ocasião, o motorista perdeu o controle sob forte chuva e o veículo tombou, deixando 22 feridos. Em vez de providenciar o reparo ou o transporte seguro do que restou do ônibus, a empresa proprietária optou por colocar um funcionário de 39 anos para conduzir a “sucata” por centenas de quilômetros até a capital goiana.

Diante das irregularidades consideradas gravíssimas e do risco iminente de um novo acidente, o ônibus foi autuado por mau estado de conservação. A PRF impediu que o veículo seguisse viagem por conta própria, exigindo que a empresa providenciasse um guincho para completar o deslocamento até a garagem.

O nome da empresa e do motorista não foram divulgados; o espaço segue aberto para manifestações.

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