Parceria em Brasília impulsiona tombamento do Quilombo Kalunga em Goiás
Acordo prevê inventário participativo e ações para desenvolvimento sustentável das comunidades
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) assinaram, nesta quinta-feira (26), em Brasília, um convênio para avançar no processo de tombamento do Quilombo Kalunga, considerado o maior território quilombola do Brasil. A iniciativa marca uma nova etapa na valorização cultural e no fortalecimento das comunidades tradicionais da região.
Localizado no Nordeste de Goiás, na área da Chapada dos Veadeiros, o território Kalunga abrange principalmente os municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás. A região reúne 39 comunidades e cerca de 7,5 mil moradores, que serão diretamente beneficiados pelo projeto.
O acordo estabelece a realização de um inventário participativo dos bens culturais e das potencialidades econômicas das comunidades quilombolas. A proposta é envolver diretamente os moradores na identificação de patrimônios materiais, como arquitetura, artesanato e áreas de uso coletivo, e imateriais, como danças, culinária, rezas e saberes tradicionais.
Além de subsidiar o processo de tombamento, a parceria também busca criar caminhos para o desenvolvimento territorial sustentável. O Sebrae atuará no mapeamento de oportunidades econômicas, promovendo geração de renda a partir da valorização da cultura local, aliada à preservação ambiental e à inovação.
O projeto terá duração de 16 meses e inclui ações como oficinas participativas, georreferenciamento de referências culturais, sistematização de dados e elaboração do dossiê técnico que fundamentará o reconhecimento patrimonial. A iniciativa também servirá como base para a construção de uma metodologia que poderá ser aplicada em outros territórios quilombolas do país.
Durante a assinatura, o presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou a importância da iniciativa para além da economia. Segundo ele, o trabalho envolve a valorização da história, identidade e das raízes culturais do Brasil.
Já o presidente do Iphan, Leandro Grass, ressaltou o caráter participativo do processo, enfatizando que serão as próprias comunidades que definirão o que deve ser reconhecido como patrimônio cultural.
Representantes locais também celebraram o avanço. Lideranças quilombolas apontam que o tombamento é uma reivindicação antiga e pode fortalecer a proteção do território, além de ampliar o reconhecimento da história e da cultura Kalunga, preservada há mais de três séculos na região.