Participação panamenha na Copa do Mundo emociona família em Goiás
O sonho de participar pela primeira vez do mundial, e ainda marcar um gol, superou a tristeza da derrota. Inglaterra goleou o Panamá com seis gols
Nem com a goleada de 6×1 sofrida pelo Panamá neste domingo (24), durante partida contra a Inglaterra, na Copa do Mundo, os conterrâneos do país latino se desanimaram. A emoção de participar pela primeira vez de um mundial e voltar para casa com pelo menos um gol superou qualquer sentimento de derrota para os panamenhos.
O Mais Goiás acompanhou o jogo junto com a família goiana-panamenha dos Peñalba Machado na residência deles, no Setor Campinas, em Goiânia. O sentimento que ficou ao final da partida – tanto para quem acompanhou o jogo no estádio russo, quanto para quem viu pela tevê – foi de uma grande lição para o futebol: muita esportividade, alegria e orgulho.
A advogada Desireè Peñalba Machado disse que o único desejo da torcida era marcar pelo menos um gol. “A gente já sabia que ia perder, mas queríamos ir para casa com pelo menos um gol marcado em um mundial”, justifica. E a mãe da advogada, Dayra Peñalba Machado, ainda brincou com a repórter, que ia embora logo após a conquista do gol: “Não vai ficar para assistir a nossa virada?”.

Ainda durante o primeiro tempo, Pedro, que é irmão de Desiré, disse que na escola onde estuda as apostas no bolão foram de 6 a zero para a Inglaterra. O resultado realmente não foi favorável para o Panamá, mas o gol tão almejado foi a grande conquista do jogo. Principalmente porque foi o primeiro da história do Panamá em Copa do Mundo. E quem acertou a rede foi o jogador Felipe Baloy, que se aposenta logo após o mundial.
Na sala dos Peñalba Machado, decoração com as cores da bandeira, um café da manhã caprichado e, claro, uma corneta verde e amarela para acompanhar a animação dos amigos e da família. O grupo não se deixou desanimar nem com a goleada de cinco a zero no primeiro tempo.
O sangue latino bate forte e, durante o intervalo, e até mesmo ao longo do jogo, a música que levantava todos da cadeira e do sofá era “Sube la Marea”, hino produzido em homenagem à seleção que enfrentaria pela primeira vez a Copa do Mundo. “La marea roja”, repetido ao longo da canção, é “a onda vermelha”, que representa todos vestidos com a cor da seleção, torcendo unidos. “Podemos não ter a melhor seleção, mas com certeza temos a melhor música”, brincou Desirè.
A virada do Panamá não aconteceu, mas o orgulho de participar da maior competição do futebol não foi abandonado. “Os panamenhos gostam tanto de futebol quanto o Brasil. A sensação agora é única, porque é a primeira vez que estão na Copa. O maior sonho é, realmente, participar”, diz Desireè.
História

A jovem advogada ainda conta que tem lembranças de criança, quando a família ia ao país para assistir ao mundial, e a torcida dos panamenhos dividiam as preferências entre as seleções brasileira e a nossa principal adversária, a Argentina. Agora, com o Panamá pela primeira vez participando do mundial, foi a oportunidade de toda comunidade panamenha torcer pela sua própria seleção.
O pai de Desirè, o goiano Telmo Magalhães Machado e a mãe panamenha Dayra Peñalba Machado, se conheceram durante o curso de Medicina, na Universidade Federal de Goiás (UFG). Casaram, tiveram três filhos e hoje a família é essa mescla latina de Brasil e Panamá. As viagens para o país da matriarca são constantes, a cada dois anos.
O simpático Telmo disse que é importante que todos saibam: a camisa vermelha não é só símbolo da revolução, mas também uma homenagem ao sangue derramado de Vitoriano Lourenço, que lutou pela independência do Panamá mas foi traído e esquartejado em praça pública. “Vitoriano Lourenço está para o Panamá assim como Tiradentes está para o povo brasileiro”, contextualiza.
Coincidentemente, hoje a filha mais velha de Telmo e Dayra, Giselle, mora na Inglaterra. Desirè conta que os sobrinhos estavam vestidos de vermelho e, na terra dos adversários na Copa, a família acompanhou o jogo de casa, fugindo dos gritos e comemorações ingleses.
