A pedagoga Luanna Silva de Sousa, de 39 anos, busca ajuda para localizar sua família biológica e compreender sua verdadeira origem. Ela foi acolhida em 26 de junho de 1989, quando tinha cerca de três anos, ao ser encontrada sozinha na porta da Igreja Matriz de Trindade. Na época, a criança não possuía documentos e apresentava sinais evidentes de maus-tratos, o que mobilizou padres da igreja, assistentes sociais e autoridades locais.
Após tentativas frustradas de acolhimento institucional e de identificação de familiares, inclusive junto à assistência social, à polícia e ao Judiciário, Luanna foi acolhida pela professora Terezinha da Silva Sousa, hoje com 80 anos, que decidiu cuidar da menina.
Luanna relata que, ao chegar à família adotiva, ainda apresentava sinais evidentes de maus-tratos. Ela estava desnutrida, desidratada e com feridas pelo corpo, incluindo sinais de queimaduras de cigarro, um ferimento na cabeça decorrente de agressão e problemas no couro cabeludo.
Segundo a mãe adotiva, seu cabelo foi arrancado para que aparentasse estar em situação ainda mais vulnerável, com o objetivo de sensibilizar pessoas enquanto pediam esmolas. As informações indicam que as agressões teriam sido praticadas por pessoas com quem ela estava naquele período, que não eram familiares, mas apenas conhecidos.
Inicialmente, Luanna permaneceu sob guarda provisória, com respaldo judicial, caso a família biológica aparecesse. No entanto, segundo Terezinha, apesar das buscas realizadas pelos órgãos competentes, nenhuma informação sobre os pais biológicos ou sobre a cidade de origem da criança foi localizada. O registro provisório se manteve até os 17 anos. Posteriormente, diante da necessidade de documentação civil, a adoção foi regularizada judicialmente, e ela passou a ser registrada oficialmente como filha do casal.
Luanna atua como intérprete de Libras, trabalha com redes sociais e tenta construir seu espaço como influenciadora digital. Mãe de dois filhos, ela foi criada em Trindade e sempre teve conhecimento de sua própria história.
(Foto: Arquivo enviado ao Mais Goiás)Blusa que Luanna usava quando foi encontrada (Foto: Arquivo enviado ao Mais Goiás)
Busca pela família biológica
A professora afirma que a busca pelas origens não diminui o amor e o reconhecimento pela mãe adotiva, mas nasce do desejo de compreender sua história e saber se possui irmãos. Ela relata que sua mãe adotiva foi quem a criou, cuidou dela e lhe deu tudo, mas destaca que existe um vazio causado pela falta de informações sobre sua origem.
A pedagoga explica que já tentou localizar familiares por meio de relatos da época em que foi encontrada, informações da assistência social, da família adotiva e também utilizando as redes sociais como forma de alcançar pessoas que possam ter alguma informação sobre sua família biológica.
A família decidiu divulgar o caso publicamente na esperança de que alguém reconheça a história ou tenha informações que possam ajudar a esclarecer o passado de Luanna. Quem tiver qualquer informação pode entrar em contato pelo número: (62) 99640-1438.