Pelo menos 15 escolas podem ter tido recursos desviados para apostas no Tigrinho, em Goiás
Casos de supostos desvios de recursos escolares para apostas online estão sendo investigados nos âmbitos administrativo e criminal
(Com Diogo Luz) Em entrevista ao Mais Goiás nesta terça-feira (27), a secretária de Estado da Educação, Fátima Gavioli, revelou que pelo menos 15 escolas podem ter sofrido com desvios de recursos públicos praticados por gestores viciados em jogos de apostas online, como o “Tigrinho”. Segundo a secretária, os casos envolvem diretores e assessores financeiros que utilizaram senhas de acesso às contas das escolas para “limpar” os caixas, deixando as unidades em situação de dificuldade financeira.
As irregularidades foram identificadas por meio de auditorias e denúncias da própria comunidade escolar. Há investigações em curso tanto no âmbito administrativo, quanto no criminal (já que a Polícia Civil foi acionada). Gavioli destaca que, embora o número represente uma minoria no universo das 948 escolas da rede estadual de ensino, o desvio é reflexo de um drama social que, infelizmente, alcança também a educação.
Como os processos tramitam em sigilo, a Seduc diz que não está autorizada a dar detalhes sobre eles. A própria titular da pasta diz que não tem acesso à íntegra das investigações. Sabe-se, no entanto, que já existem casos registrados nos primeiros dias de 2026 e que, por ora, segundo Gavioli, nenhum PAD (processo administrativo disciplinar) tramitou de forma definitiva.
A própria suspeita de que o dinheiro das escolas foi usado para alimentar o vício de servidores em apostas online ainda precisa ser ratificada de forma definitiva. A desconfiança vem do comportamento desses investigados (alguns deles contraíram uma série de empréstimos bancários antes de subtrair recursos públicos) e depoimentos de familiares e amigos dessas pessoas. “Que os depoimentos todos levam a indicar que foram para jogos virtuais, isso sim”, diz a secretária.
“Eu gostaria que houvesse um trabalho de conscientização que alertasse para o quanto esse comportamento é ruim para todos nós. Eu sou gestora, e afirmo que quando alguém não age com transparência no uso do dinheiro público, isso respinga em todos nós”, afirma Gavioli. “Graças a Deus o número de casos ainda é pequeno. Eu me preocupo muito com jovens, porque, se não fizermos algo, teremos uma geração inteira muito envolvida com jogos”.
A secretária de Educação explica que o registro de casos suspeitos de desvio acarreta a imediata suspensão de repasses do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb). E que, para evitar que crianças sejam penalizadas pelo comportamento irregular de gestores, o Estado precisa agir rápido e compensar essa perda financeira decorrente do bloqueio federal.
Ela também diz que os servidores que prestam serviço ao Estado em regime de contrato são imediatamente desligados da Seduc. Já os efetivos são afastados dos cargos de confiança que ocupam e são designados pra exercer atividades em outras áreas enquanto o PAD tramita.