Prisão mantida

Polícia busca novas vítimas de ginecologista preso por abuso em Goiás

Com 23 denúncias registradas, médico é investigado por estupro de vulnerável; polícia acredita que número de vítimas pode ser maior

Médico ginecologista Marcelo Arantes e Silva
Delegada reforçou pedido para que outras mulheres compareçam à unidade policial para denunciar possíveis abusos (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) tenta identificar outras possíveis vítimas do ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, preso sob suspeita de cometer crimes sexuais contra pacientes durante atendimentos médicos. Até o momento, 23 mulheres, com idades entre 18 e 45 anos, formalizaram denúncias. Dentre elas estão jovens que estavam em sua primeira consulta ginecológica e até uma gestante.

A audiência de custódia do médico foi realizada na última sexta-feira (24) e resultou na manutenção da prisão pela Justiça. De acordo com a polícia, há relatos de episódios ocorridos desde 2017. No entanto, os investigadores acreditam que o número de vítimas pode ser ainda maior.

SAIBA MAIS:

A delegada Ana Elisa Gomes, titular da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), reforçou o pedido para que outras mulheres compareçam à unidade policial para denunciar possíveis abusos.

“São homens de família, casados, que não levantam suspeitas, mas infelizmente muitos agridem essas mulheres. Então venham até a delegacia, que é de vocês, façam suas denúncias. A delegacia funciona 24 horas e essa é só mais uma prisão de outras tantas que podemos fazer. O que não podemos fazer é nos silenciar diante de tantas violências”, afirmou.

Modus operandi

A delegada Gabriela Morais explicou em entrevista coletiva que o investigado se aproveitava da condição de vulnerabilidade das pacientes durante as consultas. “Em uma consulta ginecológica, a vítima está física e emocionalmente exposta e vulnerável, confiando no médico e no profissionalismo do médico, então para ela é mais difícil opor qualquer forma de resistência”, explicou.

VEJA AINDA:

As investigações apontam que o ginecologista mantinha um padrão de comportamento e abordagem. Durante os atendimentos, ocorriam toques físicos indesejados, em alguns casos sem o uso de luvas, além de perguntas invasivas, inclusive sobre orgasmo, e comentários inadequados durante os exames.

A delegada Amanda Menuci destacou que a caracterização do crime como estupro de vulnerável se deve ao entendimento de que os atos teriam ocorrido enquanto as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade, no âmbito de uma consulta médica.

Em nota, a defesa do médico considerou desnecessária a prisão preventiva e sustentou que medidas cautelares alternativas seriam suficientes. “A prisão antes do trânsito em julgado de eventual sentença condenatória é exceção, somente viável quando medidas alternativas se mostram insuficientes. Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos”, afirmou a defesa.