Pós-retração, suinocultura goiana recupera resultados e mira mercado externo
Apesar do avanço das exportações, cerca de 75% da produção ainda segue destinada ao mercado interno, o que revela desafio para 2026
A suinocultura goiana encerrou 2025 com resultados positivos, impulsionados pela ampliação das exportações, pelo aumento do consumo interno e por ganhos de produtividade. A avaliação é do presidente da Associação Goiana de Suinocultores e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), Bruno de Souza Mariano, que analisa o desempenho do setor no estado e no país. Ele conversou com o Mais Goiás nesta quarta-feira (28).
Segundo ele, o Brasil ampliou sua presença no mercado internacional, especialmente na Ásia. “Vendemos muito para o Vietnã e Cingapura, além do Japão e de países da América do Sul, como a Argentina. Somos o terceiro maior exportador e temos feito bons negócios”, afirma. Apesar da expansão das exportações, cerca de 75% da produção nacional segue destinada ao mercado interno.
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Bruno destaca que o crescimento ocorreu sem aumento no número de matrizes em Goiás e no Brasil. Ainda assim, houve elevação da produção, da ordem de mil toneladas, associada a melhorias nos sistemas produtivos e à eficiência da cadeia. “Isso é sinônimo de uma eficiência muito boa, com um produto de alta qualidade sendo produzido”, resume.
O desempenho do setor também foi influenciado pelo consumo doméstico. Em 2025, o consumo médio de carne suína no Brasil chegou a 19 quilos por pessoa ao ano. Em Goiás, esse índice ficou em torno de 20 quilos. “Temos um consumo bastante expressivo, o que representa ao mesmo tempo um grande desafio”, observa o presidente da associação.

Na avaliação de Bruno Mariano, a suinocultura tem ampliado sua participação tanto no mercado interno quanto no externo, acompanhando mudanças nos padrões de produção e de qualidade. Ele também aponta que os frigoríficos goianos passam por processos de expansão e que o estado recebe animais do Distrito Federal e de Mato Grosso para atender à demanda. “Isso mostra que temos um mercado pujante”, analisa.
Para 2026, a expectativa é de manutenção do cenário observado em 2025. A projeção do setor é de estabilidade nos preços, continuidade das exportações e equilíbrio entre oferta e demanda. “Acreditamos que o próximo ano deve manter a mesma expressão em valores e exportações, com uma cadeia que segue bem organizada”, projeta Bruno.
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Sétima posição
Do ponto de vista estrutural, Goiás figura atualmente como o sétimo maior produtor de suínos do país. O estado reúne fatores como disponibilidade hídrica, condições climáticas favoráveis, produção de grãos e áreas com potencial para novos empreendimentos industriais.
Segundo Bruno Mariano, a densidade de suínos por área ainda é inferior à registrada em estados da Região Sul. “O número de suínos por metro quadrado em Goiás é bem menor do que em estados do Sul, o que representa uma oportunidade muito grande de expansão”, avalia.
Os dados do comércio exterior ajudam a contextualizar esse desempenho. Em 2025, as exportações brasileiras de carne suína somaram aproximadamente US$ 3,4 bilhões. Desse total, Goiás respondeu por cerca de US$ 37 milhões, segundo informações do Comex Stat. Os dados foram avaliados pelo analista de mercado Marcelo Penha, do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag).

De acordo com Penha, os abates cresceram em torno de 4% no ano, mas o principal fator para o aumento do faturamento foi o redirecionamento da produção ao mercado externo, favorecido por preços internacionais mais atrativos e por um câmbio mais competitivo. Em Goiás, o resultado de 2025 também reflete uma recuperação em relação a 2024, quando o estado havia registrado retração nas exportações.
Atualmente, Goiás responde por 1,1% do valor exportado de carne suína pelo Brasil, embora concentre 3,38% do abate nacional, conforme dados do IBGE. Para o analista do Ifag, essa diferença indica que a produção goiana segue majoritariamente voltada ao mercado interno, com a exportação exercendo papel complementar.
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No cenário nacional, as exportações permanecem concentradas na Região Sul. Santa Catarina lidera as vendas externas, seguida por Rio Grande do Sul e Paraná, que juntos respondem por mais de 90% do total exportado.
Ainda assim, os analistas apontam que há espaço para ampliação da participação goiana, condicionada a avanços em integração industrial, habilitação de frigoríficos e consolidação de mercados externos.