Por tempo indeterminado

Profissionais credenciados da saúde de Goiânia paralisam atividades nesta terça (13)

Trabalhadores denunciam precarização e atrasos nos pagamentos na rede municipal de saúde

Imagem da manifestação
Manifestação reúne trabalhadores da rede municipal após início da paralisação (Divulgação: Sindsaúde/GO)

Profissionais credenciados da rede municipal de saúde de Goiânia paralisaram os trabalhos nesta terça-feira (13/1), em um movimento unificado que denuncia precarização das condições de trabalho e os impactos no atendimento à população. Médicos, enfermeiros e farmacêuticos relatam dificuldades operacionais nas unidades da rede municipal, como atrasos de salário, falta de insumos, equipes incompletas e sobrecarga de atendimentos, principalmente nos serviços de urgência. A interrupção, que afeta apenas atendimentos eletivos, ocorre por tempo indeterminado. Serviços de urgência e emergência seguem mantidos.

Entre as reivindicações, a garantia de condições dignas de trabalho, disponibilização de recursos humanos e materiais adequados e regularidade nos pagamentos. Além disso, profissionais demandam, manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024 e a revogação do Edital nº 03/2025, que prevê redução de até 35% nos honorários médicos e jornadas de até 24 horas contínuas.

A paralisação foi aprovada em assembleia unificada realizada no último dia 9, com participação de trabalhadores representados pelo Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde/GO), Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de Goiás (Sinfargo), Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Goiás (Sieg) e Sindicato de Enfermagem no Estado de Goiás (Sienf/GO).

Nesta manhã, agentes de saúde realizam uma manifestação em frente ao CIAMS Jardim América. No local, as categorias reforçam que a mobilização foi deflagrada diante da ‘falta de respostas’ da Prefeitura de Goiânia a problemas considerados recorrentes na rede municipal. Outra demanda crítica é a insegurança para a realização dos trabalhos e o combate a agressões a trabalhadores dentro de unidades de saúde.

Imagem da manifestação
Categoria cobra salários atrasados, melhores condições de trabalho e abertura de negociação com a Prefeitura (Divulgação: Sindsaúde/GO)

Mais protestos

A mobilização desta terça-feira integra uma série de atos previstos pelas categorias, que cobram abertura de negociação com a gestão municipal. As entidades informam que os atendimentos eletivos permanecem suspensos até que haja avanços nas tratativas, enquanto os serviços de urgência e emergência seguem mantidos.

Em nota ao Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que, por se tratar de um serviço essencial, os atendimentos de urgência e emergência devem ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. A pasta afirmou ainda que o novo credenciamento ajusta os valores dos plantões médicos à realidade de mercado, com base em estudo de impacto orçamentário e financeiro realizado na região metropolitana.

Leia na íntegra a nota da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS):

“A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informa que, em razão da natureza essencial dos serviços, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. A SMS pontua que o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado e é embasado por estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia. 

A pasta esclarece que, tanto no edital antigo quanto no novo, o pagamento de profissionais credenciados é previsto no 20º dia útil do mês subsequente e que não há atualmente repasses em atraso. No entanto, para que os profissionais tenham maior previsibilidade no recebimento dos repasses, a secretaria irá alterar a data de pagamento para o dia 25 de cada mês.

A SMS destaca que a reconstrução das redes de atenção à saúde do município é um processo e que atua em diversas frentes para melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde. A secretaria informa que no ano passado mais de 40 unidades de saúde receberam serviços emergenciais de manutenção predial e que efetuou a entrega de mais de 3 mil novos móveis, em substituição a itens deixados em péssimas condições de uso pela gestão anterior. 

Em 2025, a pasta adquiriu e distribuiu mais de 200 tipos de medicamentos e insumos que estavam em falta nas redes de atenção à saúde e promoveu a troca da empresa responsável pelo serviço de higienização e fornecimento de materiais de limpeza nas unidades de saúde, que estavam constantemente em falta.”

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