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Profissionais da saúde pública de Goiás somam 1.509 afastamentos por transtornos mentais desde 2024

Casos envolvem, principalmente, ansiedade, depressão e síndrome de burnout

Profissionais da saúde pública de Goiás somam 1.509 afastamentos por transtornos mentais desde 2024
Profissionais da saúde pública de Goiás somam 1.509 afastamentos por transtornos mentais desde 2024 (Foto: Magnific)

Goiás registrou 1.509 afastamentos de profissionais da saúde pública por licença médica relacionados a transtornos mentais entre 2024 e 2026. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Conforme a pasta, foram 685 ocorrências em 2024, 614 em 2025 e 210 contabilizadas em 2026, e os casos envolvem, principalmente, ansiedade, depressão e síndrome de burnout.

O tema ganhou mais atenção na última segunda-feira (18), quando o governador Daniel Vilela (MDB) sancionou a Lei nº 24.265. A matéria, de autoria do deputado estadual Veter Martins (PSB), institui a Política Estadual de Atenção à Saúde Mental dos Profissionais da Saúde Pública.

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Consta no texto da lei a previsão de estímulos à conscientização, prevenção e acompanhamento sobre a importância do cuidado com a saúde mental dos profissionais da saúde pública, bem como a capacitação técnica destes trabalhadores. Outras medidas preveem estimular a formação de grupos de atendimento e orientação acerca dos sinais de doenças mentais, a disponibilização de ambientes de trabalho acolhedores, autocuidado e mais.

Além disso, a lei também prevê a criação da Semana Estadual de Saúde Mental dos Profissionais de Saúde Pública. Ela acontecerá anualmente, na primeira semana de setembro, com o intuito de conscientizar sobre o tema.

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Daniel sancionou lei que cria Política Estadual de Atenção à Saúde Mental dos Profissionais da Saúde Pública (Foto: Divulgação)

Conforme o projeto sancionado, a ideia é estimular:

  • Conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental dos profissionais da saúde pública;
  • Adoção de medidas que possibilitem amplo reconhecimento do papel dos profissionais da saúde pública;
  • Prevenção, conscientização, acompanhamento e tratamento de doenças mentais dos profissionais da saúde pública;
  • Capacitação técnica dos profissionais da saúde pública;
  • Adoção de medidas e a formação de grupos de atendimento direcionados aos profissionais da saúde pública para orientá-los sobre os sinais das doenças mentais e como procurar ajuda;
  • Integração das políticas públicas de saúde que se relacionam com saúde mental, de forma a se aperfeiçoar a execução da Política Estadual instituída por esta Lei;
  • Criação de grupos multiprofissionais (psiquiatras, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais de saúde mental) para elaborar diretrizes com o objetivo de oferecer suporte psicossocial e cuidados especializados;
  • Disponibilização de ambientes de trabalho acolhedores e seguros para minimizar os potenciais efeitos dos riscos à saúde mental;
  • Preservação da integridade moral e física dos profissionais da saúde pública no ambiente de trabalho;
  • Celebração de parcerias ou convênios com órgãos públicos, universidades e organização da sociedade civil para aperfeiçoar a fiel execução da Política Estadual instituída por esta Lei;
  • Conscientização sobre a importância do autocuidado, inclusive da prática de atividades físicas, adoção de hábitos alimentares saudáveis e cuidado com o sono;
  • Mobilização de suporte comportamental e psicoemocional para o enfrentamento, como estratégia que pode ser adotada pelos profissionais da saúde pública, quando submetidos a pressões que ultrapassem a sua capacidade cotidiana de resolução;
  • Organização de rotinas de atendimento às pessoas que manifestarem sintomas bem como a observação dos cuidados necessários para proteger os profissionais de saúde, de forma a se preservarem os atendimentos;
  • Adoção de medidas de prevenção e mitigação dos impactos da doença mental nos profissionais da saúde pública;
  • Adoção de medidas de detecção e monitoramento de necessidades de cuidados específicos, como ansiedade e depressão.

Em nota, a SES-GO informou que as áreas técnicas da pasta, entre elas a Gerência de Saúde Mental (Gesm), a Gerência de Gestão de Pessoas (GGP) e a Saúde do Trabalhador, analisam os serviços, estratégias e fluxos necessários para implementar a política. A secretaria afirmou que já desenvolve ações de prevenção e acolhimento, com destaque para a atualização das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas para Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho (DDT-TMRT), elaboradas com a participação da Universidade Federal de Goiás (UFG), do Instituto Sedes Sapientiae e de equipes técnicas da própria pasta.

Nota SES-GO:

“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informa que a Lei Estadual nº 24.265 foi publicada na última segunda-feira (18/05) e que, neste momento, as áreas técnicas da pasta, como a Gerência de Saúde Mental (Gesm), Gerência de Gestão de Pessoas (GGP) e Saúde do Trabalhador, estão analisando e organizando os serviços, estratégias e fluxos necessários para a implementação da política prevista na legislação.

A SES-GO reforça o compromisso com a promoção da saúde mental dos trabalhadores e destaca que já desenvolve ações voltadas à prevenção, acolhimento e assistência em saúde mental no ambiente de trabalho. Entre elas, está a atualização das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas para Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho (DDT-TMRT).

O documento estabelece parâmetros para diagnóstico, acolhimento e tratamento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho, auxiliando os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) na atenção básica, média e alta complexidade. A atualização das diretrizes foi construída com base em estudos especializados e contou com a participação de profissionais de diversas instituições, como a Universidade Federal de Goiás (UFG), Instituto Sedes Sapientiae e equipes técnicas da SES-GO.

Além disso, o tema foi debatido amplamente em discussão pública, incluindo oficina promovida pela SES-GO com participação de profissionais da saúde mental, representantes de órgãos públicos e instituições parceiras, fortalecendo o debate sobre prevenção, cuidado e proteção da saúde mental dos trabalhadores.

A SES-GO destaca ainda que as ações desenvolvidas representam um avanço no fortalecimento da prevenção e da promoção da saúde mental no estado. Entre os desafios, Goiás busca ampliar a atuação integrada entre as áreas técnicas e estruturar estratégias de acompanhamento e acolhimento aos profissionais da saúde, conforme previsto na nova legislação.

Em relação aos afastamentos por licença médica relacionados à saúde mental, foram registrados 685 afastamentos em 2024, 614 em 2025 e 210 em 2026, totalizando 1.509 afastamentos no período. Os casos envolvem transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout.