Rastro de conflito

“Proibida de trabalhar”: áudio revela que síndico perseguia e boicotava corretora antes de matá-la

O inquérito aponta que a disputa pelo mercado de locações e meses de ataques psicológicos e boicotes profissionais motivaram o crime

Vítima Daiane Alves e o Cléber Rosa Oliveira - (Foto: reprodução)
Vítima Daiane Alves e o Cléber Rosa Oliveira - (Foto: reprodução)

Uma rede de difamação em grupos de WhatsApp, ordens para “maltratar clientes” e tentativas de bloquear profissionalmente a corretora Daiane Alves compõem o rastro de ódio deixado pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira antes de assassiná-la em Caldas Novas. Documentos anexados a processos judiciais movidos pela vítima já mostravam que o síndico buscava sufocar os negócios da corretora por inveja e disputa financeira no mercado de locações. Mesmo com a suspensão judicial de sua expulsão no condomínio, Cléber continuou agindo nos bastidores, deixando claro em áudios enviados a clientes: “você pode entregar a chave para quem você quiser, fazer o que quiser no seu apartamento. Mas a Daiane está proibida de trabalhar lá com hospedagem”.

A perseguição, registrada em boletins de ocorrência, áudios, prints e pedidos de liminar, terminou de forma trágica. Preso na quarta-feira (28), Cléber confessou ter matado a corretora dentro do condomínio e escondido o corpo em uma região de mata, cerca de 15 km da casa da vítima, na saída para Catalão. Segundo a investigação, Maicon Douglas Souza Oliveira, filho do suspeito, teria tentado atrapalhar as apurações. O inquérito aponta que a disputa pelo mercado de locações e meses de ataques psicológicos e boicotes profissionais motivaram o crime.

Imagem faz parte do dossiê de provas
Cleber acusa a corretora Daiane de “condutas inadequadas” e agressões a funcionários (Foto: reprodução)

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Ofensiva contra a corretora

Meses antes do crime, Cléber já havia planejado uma série de ações para impedir que Daiane atuasse no condomínio e para afastá-la dos proprietários de imóveis que ela administrava. Em áudios anexados ao processo, o síndico chantageia clientes e impõe limitações. “A Daiane está proibida de trabalhar lá no condomínio. Eu não vou voltar atrás dessa decisão”, afirma, acrescentando: “A recepção não vai prestar serviço, não vai entregar chave, não vai entregar ficha, não vai fazer nada. Aí você tem que decidir de que lado você quer estar”.

Ele ainda ameaça cortar qualquer suporte ao apartamento caso a cliente mantenha Daiane como gestora: “Se der qualquer problema lá, não liga para mim. Eu vou bloquear o seu telefone, não vou te atender mais. Com ela não dá certo. Eu não tenho mais diálogo com ela”.

A foto mostra um print de um aplicativo de mensagens
Registro mostra o momento em que o síndico usa grupo de WhatsApp para atacar a honra de Daiane (Foto: reprodução)

Sabotagem e humilhação pública

A hostilidade ultrapassava o ambiente profissional. Em maio de 2025, Nilce, mãe de Daiane, registrou boletim de ocorrência depois que Cléber chamou mãe e filha de “quadrilha de delinquentes” em um grupo de WhatsApp do condomínio. O episódio gerou constrangimento público e intensificou a pressão sobre a corretora. Mesmo com a Justiça suspendendo temporariamente sua expulsão devido a irregularidades na assembleia, o clima hostil permaneceu.

Prints das notificações
Síndico usava supostas infrações de barulho e danos para isolar a corretora no condomínio (Foto: reprodução)

Os áudios mostram que Cléber determinava medidas concretas para prejudicar Daiane e seus clientes, bloqueando o acesso a chaves e suporte administrativo, “A recepção não vai entregar chave, não vai fornecer ficha, não vai fazer nada. É você que tem que escolher de que lado quer estar”, dizia.

Ele ainda acusava a corretora de descumprir regras e desrespeitar pessoas: “Ela passou por cima das normas, até a mãe dela desrespeitou regras. Com ela eu não converso mais. Tudo tem limite”.

Para Polícia Civil, essas ações não foram isoladas, mas parte de um padrão de perseguição que culminou no homicídio.

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