Quem é o neto suspeito de desviar R$ 37 milhões de herança da avó em Firminópolis
Zootecnista Fabiano Pedrosa gerenciava fazenda da família, participava de leilões e é investigado por possível esquema com outros envolvidos
Apontado como principal suspeito de desviar cerca de R$ 37 milhões da própria avó, o zootecnista Fabiano Pedrosa Leão é cristão, casado, pais de duas meninas, herdeiro de uma tradicional propriedade rural de Firminópolis e atuava diretamente na administração dos bens da família. Ele também era presença frequente em leilões de gado e no meio agropecuário, onde construiu relações que agora também entram na mira das investigações da Polícia Civil.
Segundo a Polícia Civil, Fabiano assumiu a gestão financeira da avó, a fazendeira Angélica Gonçalves Pedrosa, ainda em 2009, após a morte do marido dela. Com o tempo, ganhou total confiança da família, incluindo das tias que se tornaram herdeiras diretas após a morte da idosa em 2024, e passou a ter acesso amplo às contas bancárias, além de gerenciar a herança praticamente sozinho.
De acordo com o delegado Alexandre Bruno, as investigações apontam que o dinheiro não era dividido de forma igual entre os herdeiros, enquanto o suspeito apresentava crescimento patrimonial considerado incompatível.
Um dos fatos que mais chamaram a atenção foi o saque de cerca de R$ 1,5 milhão feito por Fabiano apenas dois dias após a morte da avó, em 2024. Ele afirmou na época que o valor foi usado para quitar dívidas da família antes da divisão dos bens. O investigado também declarou que sempre informou a avó sobre as movimentações e que possui documentos para comprovar a regularidade das operações.
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Organização criminosa
O delegado também apura a participação de outras pessoas no esquema. Há indícios de que Fabiano possa ter contado com ajuda de terceiros para realizar as transações, incluindo funcionários de bancos, cartórios e até produtores rurais da região. A suspeita é de que exista uma organização criminosa envolvida no caso.

“A Polícia já sabe como foi gasto e com quem foi gasto. Agora vai intimar quem participou também dessas negociações, todos serão intimados. A investigação trabalha até com uma tese de que, talvez, haja uma organização criminosa envolvida nessa situação”, destaca o responsável pelo caso.
A mãe do investigado, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, também é alvo das investigações. A defesa afirma que ela não participou do esquema e que também pode ter sido vítima, já que teria tido os dados utilizados pelo filho sem pleno conhecimento.
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A operação que apura o caso cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiânia e Firminópolis na segunda-feira (13), onde foram apreendidos celulares, computadores e documentos que ainda passam por análise.
Avô semianalfabeta

A situação da vítima é considerada um ponto importante no caso. Documentos indicam que Angélica era semianalfabeta e tinha dificuldades com tecnologia, sendo classificada como “analfabeta digital”. Além disso, ela tinha restrições de mobilidade e, em algumas situações, gerentes de banco precisavam ir até a casa dela para realizar procedimentos. Por causa disso, dependia de terceiros para lidar com as finanças, papel que era exercido pelo neto.
A investigação começou depois que uma das filhas da idosa desconfiou das contas e procurou a Justiça. Familiares apontaram que, apesar de ter um patrimônio elevado, Angélica vivia com uma renda de R$ 7 mil por mês, o que levantou dúvidas sobre o destino do dinheiro da fazenda.
Preso e liberado
O neto chegou a ser preso em flagrante após serem encontradas duas arma de fogo durante as buscas, mas foi liberado após pagar fiança. Também houve a autorização judicial para o bloqueio de bens.

A Polícia Civil informou que o inquérito está em fase final e deve ser encaminhado à Justiça para responsabilização dos envolvidos.