Vídeo rebate versão de suspeito ao mostrar troca de motorista após acidente fatal em Rio Verde
Imagens revelaram que mulher só assumiu o volante depois da batida para retirar a caminhonete do cruzamento. Investigação levou à prisão do advogado embriagado
Imagens de câmeras de segurança mostraram que o advogado Joaquim Brito Neto Junior, de 32 anos, trocou de lugar com a mulher que o acompanhava após o acidente que matou o motociclista Gustavo Pacheco Guimarães, de 28 anos, em Rio Verde. A gravação revelou que ela só assumiu o volante para retirar a caminhonete do cruzamento, desmentindo a versão apresentada pelo suspeito à polícia.
Confrontado com as imagens e depoimentos de testemunhas, ele confessou que dirigia o veículo, teve a prisão temporária decretada na quinta-feira (9) e agora responde por homicídio doloso. Segundo a Polícia Civil, Joaquim havia apresentado duas versões diferentes sobre o acidente. Logo após a colisão, ele se identificou aos policiais militares como motorista da caminhonete e realizou o teste do bafômetro, que apontou 0,54 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice que configura crime de trânsito.
No entanto, ao prestar depoimento na delegacia, mudou completamente a versão. O advogado afirmou que uma mulher, que segundo ele havia conhecido naquela noite, era quem conduzia a caminhonete no momento da batida. A alegação ganhou força inicialmente porque testemunhas relataram ter visto uma mulher deixando o banco do motorista logo após o acidente. A investigação mostrou que essa troca de motoristas aconteceu só depois da colisão.

Acidente
De acordo com a Polícia Civil, as imagens de monitoramento comprovaram que Joaquim dirigia a caminhonete quando avançou a placa de “Pare” em um cruzamento. Após a batida, a mulher assumiu o volante apenas para retirar o veículo da rua e levá-lo para um local seguro, o que explica por que foi vista no banco do motorista quando as equipes chegaram.
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Com as gravações, depoimentos de testemunhas e demais provas reunidas durante o inquérito, o advogado foi novamente interrogado e acabou confessando que realmente conduzia o veículo no momento da colisão.
Segundo o delegado Adelson Candeo, responsável pela investigação, as versões contraditórias apresentadas pelo suspeito impediram sua prisão em flagrante no dia do acidente, já que havia dúvida sobre quem dirigia a caminhonete naquele momento. Por isso, ele foi ouvido e liberado enquanto o inquérito prosseguia.
Após a análise das imagens e a confirmação da autoria, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do advogado, pedido aceito pela Justiça. Ele passou a ser investigado por homicídio doloso, quando há entendimento de que o motorista assume o risco de provocar a morte ao dirigir sob efeito de álcool.

Acidente aconteceu após saída de um bar
As investigações apontam que Joaquim havia saído de um bar pouco antes do acidente. Ao passar pelo cruzamento, não respeitou a sinalização de parada obrigatória e atingiu a motocicleta conduzida por Gustavo.
Com o impacto, o motociclista sofreu ferimentos graves. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Estadual de Santa Helena de Goiás Dr. Albanir Faleiros Machado (Herso), mas morreu na manhã do dia 30 de junho, um dia após a colisão.
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A morte de Gustavo comoveu familiares e amigos em Rio Verde. Apaixonado por motocicletas, ele deixou esposa e dois filhos.
Durante o velório, dezenas de motociclistas prestaram uma homenagem acelerando simultaneamente os motores em frente à funerária, prática conhecida como “corta giro”, tradicional entre grupos de motociclistas como forma de despedida.
OAB se manifesta
Em nota, a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Rio Verde informou que acompanha o caso, mas ressaltou que os fatos investigados não possuem qualquer relação com o exercício da advocacia. A entidade afirmou ainda que a apuração das responsabilidades compete exclusivamente às autoridades responsáveis pela investigação.
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