Terça-feira, 06 de Outubro de 2026
EDUCAÇÃO

Mães denunciam lama, risco de choque e condições precárias em escola de Senador Canedo

Pais afirmam que problemas se agravaram após alunos serem transferidos para salas modulares enquanto nova sede da Escola Aracilda Amaral não é construída

Por - Goiânia,GO
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escola x lama

Mães de alunos da Escola Municipal Aracilda Amaral, em Senador Canedo, denunciam problemas nas salas modulares usadas temporariamente pelos estudantes, entre eles lama no acesso após as chuvas, dificuldades de circulação e relatos de choques elétricos em professores e alunos. As famílias também questionam as condições do espaço onde os contêineres foram instalados e cobram providências da Prefeitura. Segundo os relatos, os problemas na estrutura antiga da escola já se arrastam há pelo menos três anos, enquanto a construção de uma nova sede ainda não tem data definida para começar.

Elizete da Costa, que tem dois filhos matriculados na unidade e atua como representante dos pais, afirma que os problemas com a estrutura da escola são antigos. “Esse problema de molhar a escola vem desde quando o meu filho entrou, tem mais de três anos. Quando vem o período chuvoso, chove mais dentro das salas de aula, secretaria e biblioteca do que no próprio pátio. É uma situação de calamidade”, relata.

De acordo com Elizete, a comunidade escolar recebeu a informação de que a unidade seria demolida para dar lugar a uma nova escola. Durante o período de transição, os estudantes passaram a utilizar oito salas modulares instaladas no terreno.

A mãe afirma que a estrutura provisória também passou a apresentar problemas. Ao Mais Goiás, ela relatou que os contêineres foram colocados próximos a duas árvores de grande porte e que não havia, inicialmente, uma estrutura adequada de acesso aos espaços.

“Colocaram os contêineres debaixo de duas árvores imensas de angico. É um perigo iminente para as crianças também com essas chuvas muito fortes e vento. Não fizeram nada em volta dos contêineres para amenizar a poeira e a lama. Quando vieram as aulas, os alunos e professores enfrentaram poeira. Agora veio o período chuvoso e veio a lama”, diz.

A mãe Cleia da Rocha de Melo, que também tem dois filhos matriculados na escola, sendo um deles com necessidades especiais, afirma que preferiu não levar o filho para unidade em um dos dias chuvosos por causa das condições do terreno.

“Eu tenho dois filhos que estudam lá, inclusive um é especial. À tarde eu nem levei ele por conta de que lá estava muito escorregadio. Fiquei com medo de ele cair e se machucar. Colocaram esses contêineres e foi muito mal planejado. Não tem uma calçada, não tem nada, é em cima de uns tijolinhos. É muito perigoso, muito mal feito, mal planejado, e lá estudam muitas crianças”, relata.

Choque elétrico

A situação que mais preocupa as famílias, segundo os relatos, é a ocorrência de choques elétricos. Elizete afirma que professores teriam sentido choques ao utilizar a lousa e que crianças também poderiam sentir a descarga ao tocar nos profissionais.

“Os contêineres estão dando choque nos professores, principalmente quando escrevem na lousa e vão apagar com o pano. Se a criança encosta no professor enquanto ele está escrevendo, toma choque também”, afirma.

A mãe diz ainda que levou o caso para direção da escola e recebeu a informação de que a gestão já havia encaminhado ofícios à Prefeitura de Senador Canedo relatando os problemas. Como resposta, a direção recebeu a informação de que uma avaliação havia sido feita nos contêineres e que o problema seria decorrente de uma descarga considerada leve.

A situação também foi levada diretamente ao prefeito Fernando Pellozo. Em mensagem enviada ao chefe do Executivo, Elizete pediu uma visita na unidade e relatou os problemas enfrentados por alunos e professores.

“Estamos tirando os nossos filhos de dentro da nossa casa para levar para uma escola para correr risco de vida, porque os contêineres estão passando corrente elétrica. Eu só gostaria que o senhor olhasse, visitasse a Escola Aracilda Amaral e tomasse uma providência urgentemente, para evitar o pior antes que uma criança ou um professor receba uma descarga elétrica e vá a óbito, e que as crianças não fiquem enfrentando lama, barro e poeira para poder entrar em um contêiner para estudar”, declarou na mensagem.

Sala de aula com goteiras e vazamentos pelas paredes, teto e em tomadas (Foto: Cedida ao Mais Goiás)

Em resposta, o prefeito informou que a escola está sendo revitalizada e que o uso dos contêineres faz parte do período de transição. Ele também disse que uma equipe foi enviada ao local para colocar brita nos acessos e verificar a questão relatada sobre a energização dos módulos.

Obra parada

As mães também questionam o andamento da obra da nova escola. Elizete afirma que, até o momento, não identificou no local uma intervenção compatível com a construção anunciada e diz ter recebido a informação de que a empresa responsável inicialmente pelo serviço teria desistido do contrato.

Na estrutura antiga, segundo ela, os problemas de infiltração continuam. A mãe afirma que, quando chove, funcionários precisam proteger computadores com plástico para evitar danos.

“Até então, a reforma que eu vi no local foi apenas a pintura das paredes. Isso não é reforma para mim. Primeiro tinha que trocar o telhado, porque está molhando tudo. É uma situação precária que a Escola Aracilda Amaral está passando”, afirma.

O que diz a Prefeitura?

Em nota enviado ao Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Educação informou que a empresa contratada para executar a nova sede desistiu da obra e que será necessário realizar uma nova licitação. Segundo a pasta, ainda não existe cronograma definido para o início da construção.

A Prefeitura também afirmou que colocou brita no acesso às salas modulares e prevê a execução de piso de concreto durante a próxima semana.

Sobre os relatos de choques, informou que foi identificada energia estática relacionada ao sistema de aterramento e que o sistema foi reforçado. A administração municipal disse ainda que mantém uma equipe de manutenção para atender às demandas das unidades de ensino.

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