Servidora nega afastamento e relata agressão verbal durante atendimento em UPA de Aparecida
A funcionária explicou que a sugestão de oração foi para que o acompanhante se acalmasse
A servidora pública Regina Cleuza Almeida, concursada há cerca de 25 anos no município de Aparecida de Goiânia, negou ter sido afastada da UPA Geraldo Magela após um atendimento realizado na última quinta-feira (1º). A repercussão teve início após a denúncia de que ela teria sugerido ao filho de uma paciente idosa que “orasse” pela situação da mãe. Segundo Regina, a informação divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde sobre a instauração de um procedimento administrativo não procede. A funcionária também esclareceu o contexto da fala que gerou a polêmica.
Regina afirma que, após cumprir normalmente o plantão do dia 1º de janeiro, entrou em férias previamente programadas e já autorizadas pelo setor de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Saúde, e que por isso não está trabalhando no atendimento.
A situação envolveu Adriano Rafael Passos do Prado, filho de uma paciente de 70 anos atendida na unidade. Conforme o relato da servidora, o atendimento inicial à idosa ocorreu de forma adequada, com triagem, avaliação médica e solicitação de tomografia. O impasse, segundo ela, surgiu posteriormente devido à demora na liberação do laudo do exame.
Regina explicou que o laudo da tomografia é enviado por e-mail ao setor de regulação hospitalar (AIH) e que apenas uma técnica de enfermagem possui senha para acessar o sistema. No momento do atendimento, a profissional responsável não estava no posto, o que impediu a liberação imediata do documento. A servidora afirma que explicou repetidas vezes ao acompanhante que a recepção já havia cumprido sua parte e que a situação dependia exclusivamente do setor de AIH.
Ainda conforme o relato, o acompanhante teria se exaltado, passado a xingá-la com palavras de baixo calão e adotado um comportamento que ela define como intimidatório. “Eu estava sozinha na recepção, sem segurança, e me senti acuada, com medo de sofrer agressão física”, afirmou. Regina relata que a Guarda Civil Municipal foi acionada pelo próprio acompanhante durante o conflito.
“Jamais falei para ele orar pela mãe”, explicou a servidora
Sobre a fala que motivou a repercussão do caso, Regina esclarece que a sugestão de oração foi direcionada ao acompanhante, para que ele se acalmasse e cessasse as agressões verbais. “Jamais falei para ele orar pela mãe. Pedi para ele orar para se acalmar e parar de me ofender”, declarou.
Regina também relatou que está em remissão de um câncer, após ter passado por cirurgia oncológica e permanecido internada em UTI no ano passado. Ela afirma que retornou ao trabalho após o período de licença médica e que sempre exerceu suas funções com dedicação. “Nunca respondi a processo administrativo. Tenho uma carreira limpa e sempre busquei atender com educação e empatia”, disse.
A servidora também criticou a falta de estrutura e de segurança na UPA, ressaltando que o setor administrativo é composto majoritariamente por mulheres e não conta com vigilância adequada. Segundo ela, a intenção é deixar a unidade de saúde assim que retornar das férias.
Procurada pela reportagem do Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida reafirmou que a servidora foi afastada do atendimento ao público e que, nesta segunda-feira (5), um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado.
Nota SMS
“A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) informa que, apesar dos fatos narrados, no dia do ocorrido a paciente foi devidamente atendida na unidade, sem qualquer atraso no atendimento.
Em relação ao episódio, a servidora envolvida foi afastada do atendimento ao público, medida prevista em lei e adotada pela gestão de forma preventiva.
Além disso, foi instaurado nesta segunda-feira, 5 de janeiro, primeiro dia útil após o ocorrido, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), com o objetivo de apurar os fatos e adotar todas as providências cabíveis.
A SMS reforça que não compactua com atitudes de desrespeito aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e destaca que situações dessa natureza não serão toleradas“.
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