Universidades criam instituto para integrar pesquisas sobre o Cerrado do Brasil
Segundo maior bioma do País é o mais ameaçado
O Instituto Nacional do Cerrado (INC) se tornou oficial em 16 de dezembro e inclui 19 universidades, entre elas, a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade de Brasília (UnB). Esta última é a sede provisória do INC, que visa integrar a pesquisa científica focada no desenvolvimento sustentável do Cerrado, o segundo maior bioma do país e savana mais biodiversa do mundo.
Conforme a UFG, o Cerrado, ao lado do Pampa, é o único bioma brasileiro que ainda não conta com uma unidade de pesquisa no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A pasta, apesar de reconhecer o mérito da proposta, diz não ter orçamento para executá-la, o que motivou o surgimento do INC como associação civil.
Nesse cenário, “o INC surge como uma iniciativa para articular, integrar e promover a pesquisa científica e tecnológica, focando no desenvolvimento sustentável do Cerrado e no enfrentamento dos muitos desafios ambientais e sociais que afetam a região. Entre os principais desafios estão as mudanças climáticas, a degradação do bioma e a conciliação de atividades econômicas com a preservação dos ecossistemas. A nova associação trabalhará também para fortalecer as ações em áreas como bioeconomia, restauração ecológica e soluções baseadas na natureza, com foco na sustentabilidade”, informa a UFG.
A Diretoria Executiva Provisória escolhida para o mandato de seis meses é composta pela professora da UnB Mercedes Bustamante, como diretora-executiva, e pelo professor da UFG Laerte Guimarães Ferreira, como diretor-administrativo-financeiro. Conforme o colegiado, o Cerrado é o bioma mais ameaçado do País, com mais de 50% de sua vegetação original removida.
Para Bustamante, “a criação do instituto é um passo histórico, um momento de muito significado para o bioma Cerrado. É no Cerrado que estão colocados de maneira mais direta os grandes conflitos e dilemas do modelo brasileiro de desenvolvimento, e é, portanto, nele, que o país definirá seus caminhos para uma transição ecológica rumo a padrões mais sustentáveis”.
À Folha, ela também afirmou que já existe um conjunto robusto de universidades, institutos federais e centros de pesquisa fazendo ciência de ponta sobre o bioma, “mas há a necessidade de um espaço em que soluções para os problemas socioambientais complexos possam ser articuladas e capilarizadas”.
De agosto de 2024 a julho de 2025, foram perdidos 7.235 km² de vegetação nativa do Cerrado. Apesar do número ser o menor em cinco anos, ainda equivale a cerca de cinco vezes a cidade de São Paulo em área. E a expansão agrícola é considerada a principal responsável pelo desmatamento.
Para Bustamante, “conciliar uma agricultura compatível com as demandas de conservação da biodiversidade e ecossistemas, estabilidade climática e justiça social requer soluções direcionadas e bem fundamentadas”.
Sobre recursos, ela afirma que o formato é menos oneroso aos cofres públicos, pois tem maior autonomia para buscar em outras fontes. Inclusive, o financiamento foi um dos pontos para a criação. “Estamos prospectando as possibilidades [de verbas] a partir de diferentes fontes. O planejamento é que o instituto inicie suas atividades com uma estrutura concisa e eficiente.”