Veja quem vai testemunhar no júri do homem que matou o ex-sogro em farmácia de Goiânia
Felipe Gabriel Jardim matou ex-sogro João do Rosário Leão na farmácia da qual a vítima era dono, dia 27 de junho de 2022
Depoimentos importantes serão dados no júri do ex-servidor público Felipe Gabriel Jardim, que no dia 27 de junho de 2022 assassinou a sangue frio o ex-sogro João do Rosário Leão, de 63 anos, em uma fármácia do setor Bueno. Depois de ser adiado por três meses, o julgamento começa nesta segunda-feira (19), em Goiânia.
O testemunho mais aguardado é, sem dúvidas, o de Kennia Yanka. Além de filha de João Rosário, Kennia foi namorada de Felipe e havia rompido o relacionamento com ele dias antes do crime. Em entrevista ao Mais Goiás, ela admite ansiedade e sentimento de “pavor” por ter que ficar mais uma vez de frente com o homem que tirou a vida do pai dela.
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“É perturbador ter que encontrá-lo. Na primeira tentativa de se realizar o juri [15 de outubro de 2025], houve um momento em que ele [Felipe] pediu pra ir ao banheiro no momento do meu depoimento, e a porta ficava ao lado de onde eu estava. Quando ele se levanta o desconforto foi imediato, ele passou do meu lado e eu fiquei apavorada”, diz Kennia. “Ter que me sentar de frente a ele e falar com ele me olhando me dá pavor”.

Além dela, vão depor uma das irmãs de Yanka, Kennia Bianca; a mãe dela e viúva Vilma Bezerra; o delegado Divino Batista, que por muitos anos foi chefe de João Rosário do Leão na Polícia Civil; e Luís Paulo Silvestre, ex de Kennia Bianca. Além de contato com Felipe, Luís Paulo tinha convivência de quase de pai para filho com o idoso assassinado.
Outros testemunhos bastante aguardados são de especialistas em saúde mental. A defesa de Felipe Gabriel defenderá a tese que o réu não tinha pleno controle das faculdades mentais no momento da execução do crime e usará laudos para livrá-lo da imputabilidade. A acusação, por sua vez, também levará profissionais dessa área para contestar o argumento.
A defesa de Felipe ainda deve levar ao testemunho da mãe do assassino e do antigo chefe dele.
O crime
João do Rosário foi assassinado na farmácia que pertencia a ele em uma manhã do dia 27 de junho de 2022. Naquele ano, umas das filhas de João contou à imprensa que, no fim de semana anterior à tragédia, o suspeito havia ameaçado matar todos eles após uma discussão.
Logo depois de cometer o crime, Felipe telefonou para Kennia Yanka para avisá-la do que havia feito. “Ele ligou para dizer que matou meu pai e ia atrás de mim”, contou ela na época. A vítima chegou a ser levada para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), mas teve o óbito confirmado por volta das 13h.
Remarcação do júri
A primeira tentativa de se realizar o júri de Felipe Gabriel Jardim aconteceu no dia 15 de outubro de 2025, mas fracassou porque uma das juradas passou mal e foi levada para o hospital.
O júri foi marcado pelo tom que os advogados de defesa de Felipe Gabriel Jardim usaram para interrogar Kennia Yanka, que, além de filha de João é também ex-namorada do réu. Emanuel Rodrigues, advogado que representa a família na época, considera que as perguntas tinham o único objetivo de constrangê-la e deveriam ter sido impedidas pelo juiz. Perguntaram, por exemplo, se ela saberia dizer quais bens herdaria com o falecimento do paí; se usava drogas; e se havia conhecido Felipe em um motel.
“Se não fosse a forma como os trabalhos foram conduzidos, o júri jamais teria tido o fim que teve no dia 15 de outubro, com uma jurada passando mal. O que a família do João quer não é favorecimento por parte de ninguém, é isenção na condução dos trabalhos”, afirma Emanuel.
Kennia Yanka afirmou ao Mais Goiás na época que recebeu com alívio a notícia da remarcação do júri: “eu me sinto aliviada por já ter uma data, porque achei que a gente ia ficar angustiada esperando que ele marcasse uma data por um tempo, e depois ainda esperar para que a data chegasse. Mas acabou sendo rápido e agora é aguardar esses três meses para que chegue o dia”.