Venezuela e EUA estão no top 5 de países que mandam migrantes para Goiás
Cinco primeiras posições no ranking de migrantes em Goiás tem Venezuela, Colômbia e Haiti no topo
Tanto Venezuela, quanto Estados Unidos aparecem no top 5 de países que mandam migrantes para morar em Goiás. Os dados foram obtidos pela reportagem junto ao Sistema de Registro Migratório da Polícia Federal e foram atualizados pela última vez em outubro de 2025.
O total de imigrantes registrados pela PF no Estado foi de pouco mais de 26 mil. Quase a metade (10.703) é oriunda da Venezuela, país que há anos enfrenta as turbulências causadas pela ditadura de Nicolás Maduro.
O fluxo migratório para o Estado inclusive fez com que Goiás se tornasse o 10º estado do Brasil que mais abriga venezuelanos.
Em segundo lugar no ranking está a Colômbia, também na América do Sul. A diferença do primeiro para o segundo colocado nesse ranking é grande. Enquanto há mais de 10 mil venezuelanos em Goiás, há 1.914 colombianos.
Em terceiro está outro país abalado pela instabilidade política: o Haiti (1.913 migrantes), seguido por Portugal (1.522).
Na quinta posição estão os Estados Unidos. Em outubro do ano passado, eram 1.132 pessoas com naturalidade norte-americana em solo goiano.
Completam as dez primeiras colocações dessa tabela a Espanha (743), o Peru (613), a Itália (610), a Bolívia (569) e a Argentina (522).
Lista de países com mais migrantes vivendo em Goiás
Venezuela: 10.703
Colômbia: 1.914
Haiti: 1.913
Portugal: 1.522
Estados Unidos: 1.132
Espanha: 743
Peru: 613
Itália: 610
Bolívia: 569
Argentina: 522
Cuba: 410
China: 374
Japão: 284
Suíça: 262
Líbano: 259
Chile: 228
Paraguai: 202
Reino Unido: 193
Holanda: 143
Comemoração em Goiânia
Ao serem informados de que o ditador Maduro havia sido capturado por militares da Delta Force, o grupamento de elite das Forças Armadas dos Estados Unidos, venezuelanos que moram em Goiânia manifestaram alívio.
Carlos Coraspe, de 35 anos, que comanda um restaurante de comida típica venezuelana em Goiânia há três anos, vê o acontecimento como um divisor de águas. Para ele, a queda do regime é o primeiro passo para um dia voltar para casa.
“A verdade é que, para nós, isso (a prisão de Maduro) está abrindo a porta para a liberdade e a esperança de conseguir voltar ao país. É um passo grande no caminho da liberdade da nossa pátria”, afirma Carlos.

Ele destaca que a busca por estabilidade o trouxe ao Brasil, onde não precisa mais lidar com o colapso dos serviços básicos. “A gente procurava um país onde pudesse trabalhar de forma certa, sem se preocupar com a inflação, com a falta de gasolina ou em ficar dias sem água e energia, como acontece na Venezuela”.
Já o entregador Tony Gomez, de 34 anos, que vive em solo goiano há sete anos, prefere uma definição técnica para a ação militar americana: “Não foi uma invasão, foi uma extração”, pontua.
“Eu tive que sair pela crise econômica. Dizem que foi o bloqueio, mas não foi o bloqueio que roubou o petróleo da Venezuela; foram as pessoas lá dentro que roubaram e fizeram a nossa economia e a nossa indústria ficarem fracas”, explica Tony.
Ele ainda ressalta a diferença institucional que percebe no Brasil, afirmando que, embora o país tenha um governo de esquerda, “não se pode comparar nunca o Lula com o Maduro”, referindo-se à evolução e ao crescimento econômico que observa na cidade de Goiânia.
Sentimento de cautela
Apesar do alívio com a custódia do ditador, o clima ainda é de cautela, já que a Venezuela declarou estado de emergência após os bombardeios em Caracas. A vontade de regressar, no entanto, permanece viva no coração dos imigrantes.
“O sonho é sempre voltar para de onde você é, para sua família, para as pessoas e para a nossa comida. O Brasil é ótimo para nós, mas sempre vai ficar a saudade do lugar de onde viemos”, resume Carlos Coraspe.
Com a família espalhada por países como Espanha e Colômbia, Tony Gomez compartilha do mesmo sentimento: “Pensamos que, daqui a pouco, quando a coisa melhorar um pouquinho, teremos vontade de voltar a morar no nosso país”.
Leia também: