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Vídeo com “realeza africana” em Goiânia provoca ataques raciais e ameaça contra bebê

“Quando envolveram minha filha, eu tive medo”, diz Josi ao relatar ameaças recebidas

Imagens da vítima
Mensagens com racismo, apologia ao nazismo e ameaças contra bebê foram denunciadas à polícia (Foto: redes sociais)

Após a repercussão do vídeo (assista abaixo) que mostra mulheres negras vestidas como realezas africanas em um shopping de Goiânia, fato ocorrido no dia 23 de dezembro, modelos têm sido vítimas de ataques racistas violentos fora do espaço público das redes sociais. Em mensagens privadas, Josi Albuquerque passou a ser alvo de ofensas raciais e ameaças graves feitas por um homem que se diz apoiador do nazismo. O tom é utilizado também contra a filha da vítima, uma bebê de apenas 1 ano. Ao Mais Goiás, Josi relatou que o agressor afirmou que cometeria um crime sexual contra a criança “na frente dela”, o que motivou o registro de um boletim de ocorrência.

Segundo Josi, o primeiro ataque aconteceu de forma pública, nos comentários do vídeo que mostrava o passeio do grupo pelo shopping. “Ele foi no meu vídeo e fez um comentário racista muito pesado”, contou. Como forma de denúncia, ela decidiu tornar o ataque visível. “Eu repostei o comentário nos stories, como qualquer pessoa faria, para mostrar o que estava acontecendo”, explicou.

Paseio das mulheres chamou atenção pela beleza no perfil do Mais Goiás no Instagram. Assista:

Após comentários depreciativos, Josi expôs as reações criminosas em suas redes sociais. Veja:

Escalada de ameaças

Foi a partir dessa exposição que a violência escalou. “Depois disso, ele me chamou no privado e começou a me atacar. No começo eu respondi, achando que era só mais um perfil, mas aí ele começou a pegar pesado. Eu caí na mira dele”, relatou.

Nas mensagens privadas, o homem adota um tom abertamente ameaçador e violento. Em um dos ataques mais graves, ele escreve: “Vai postando foto dos outros kkk até eu encontrar esse bebê seu e estuprar ele na sua frente. Dps vou fazer o mesmo com vc.” A ameaça direta contra a filha bebê da vítima marca o ponto mais extremo da escalada de violência, segundo Josi, e foi determinante para que ela procurasse imediatamente as autoridades.

Crimes contra negros e judeus

Em outros trechos, o agressor reforça o discurso de ódio racial e extremista, utilizando ofensas racistas e fazendo apologia ao nazismo. Entre as mensagens, ele afirma: “Normal em macacos”, “Sou muito real, você que é uma preta de qi 83 sem um cérebro”, “Por mim, vc é uma preta fedida mesmo”, além de declarar: “Branco e nazista orgulhoso” e “Eu odeio pretos, judeus, pardos, nordestinos, nortistas”. Em tom de deboche, também escreve que nada aconteceria com ele: “E sabe o que vai dar? Nada.” Todo o conteúdo foi salvo em prints e anexado ao boletim de ocorrência.

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Imagem dos prints
Prints das mensagens foram anexados à denúncia feita por Josi à Polícia Civil (Fotos: cedidas ao Mais Goiás)

Ameaças contra bebê

Abalada, a mãe passou a temer pela segurança da filha. “Quando ele envolveu minha bebê, aquilo me destruiu. A partir daí, eu apaguei fotos, tirei detalhes do rosto dela e fiquei com medo. Foi quando decidi procurar a polícia”, disse.

Ela registrou boletim de ocorrência e denunciou o perfil, que, segundo a própria descrição, indicava localização em São Paulo, embora a identidade real do agressor seja desconhecida. “A gente não sabe quem é, nem onde está. Isso dá ainda mais medo”, afirmou.

prints das ameaças
Por mensagem privada o homem que se diz nazista faz ameaças de morte e de violência contra bebê (Foto: cedida ao Mais Goiás)

Denúncia formalizada

Josi contou ainda que demorou dois dias para relatar o ocorrido ao marido. “Eu tive medo da reação dele. Quando contei, ele disse que não queria nem ver as mensagens, porque já estava com muita raiva”, lembrou.

Diante da gravidade das ameaças, a mulher procurou a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência. Segundo ela, as denúncias foram formalizadas com a apresentação de prints das mensagens, que comprovam os ataques racistas e as ameaças recebidas no ambiente privado das redes sociais.

Após o registro, Josi também denunciou o perfil às plataformas digitais e bloqueou o agressor, na tentativa de impedir novos contatos. O caso agora segue sob apuração das autoridades.

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