'PROFESSOR BRABÃO'

Youtuber de direita e estudante da UEG é condenado por difamar professor

Youtuber Wilker Leão estuda na UEG deste setembro de 2025, quando foi expulso da UnB por ofender professores e alunos

Youtuber de direita e estudante da UEG é condenado por difamar professor (Foto: Reprodução)
Youtuber de direita e estudante da UEG é condenado por difamar professor (Foto: Reprodução)

O estudante e youtuber de direita Wilker Leão, que cursa História do campus de Formosa da Universidade Estadual de Goiás (UEG), foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) por expor de forma depreciativa um professor da Universidade de Brasília (UnB), de onde ele foi expulso em setembro de 2025 (veja abaixo a decisão na íntegra).

Wilker, que é pré-candidato a deputado federal pelo partido Novo, gravou aulas sobre história da África e divulgou o conteúdo nas redes sociais com legendas e comentários depreciativos, sem tomar o cuidado de preservar a imagem, voz e identificação nominal do professor.

Youtuber Wilker Leão: condenado pela Justiça do DF (Foto: Reprodução)

O relator, desembargador José Cruz Macedo, diz que as expressões “professor brabão”, “valentão que se acha general” e “transgeneral”, utilizadas de forma reiterada nos títulos e legendas dos vídeos, “extrapolam o âmbito da crítica e configuram qualificações depreciativas dirigidas à pessoa do querelante”.

O desembargador conclui também que, o afirmar publicamente que o professor “fugiu” da aula, que estaria “protelando” o conteúdo ou agindo de forma ideologicamente enviesada no exercício do magistério, Wilker “atribuiu-lhe condutas aptas a comprometer a sua credibilidade profissional”.

Macedo fixou pena de um ano, 11 meses e dez dias de detenção, além de 58 dias-multa por difamação e injúria. Mas ele próprio reconhece que é cabível a substituição da pena privativa de liberdade outras restritivas de direitos.

Veja vídeo em que Wilker anuncia que é pré-candidato

A defesa argumentou que não houve dolo na conduta do youtuber, ou seja: não havia intenção de difamá-lo. Mas o desembargador refutou a tese: “As gravações não foram episódicas. Houve reiteração, edição de conteúdo, escolha de títulos provocativos e divulgação em canal digital próprio, que, destaca-se, promove elevado engajamento, circunstâncias que evidenciam propósito consciente de exposição e desqualificação”.

Expulsão da UnB e ingresso na UEG

Wilker ingressou no curso de História da UEG dias depois de ser expulso da UnB por filmar professores e alunos sem consentimento e debochar deles, em setembro de 2025.

Na época, ele fez uma promessa: “vou mostrar o que acontece dentro da sala de aula. Se há doutrinação ou não, se o ensino é técnico, a gente vai mostrar simplesmente a realidade como sempre. Mostrando aqui o meu rosto e ninguém mais, porque o que a gente quer expor é o que acontece com nosso dinheiro gasto nessas instituições públicas”.

O youtuber cumpriu o que prometeu e desestabilizou o ambiente universitário rapidamente.  Vídeos postados pelo próprio Wilker mostravam a voz de uma pessoa, que seria professor, dizendo que a UEG não foi criada para ser palco de “especulação midiática”: “Não vamos aceitar impostor vir pra cá, intimidar colega”, diz a pessoa (que dessa vez não foi identificada).

O vídeo mostra apenas o rosto de Wilker reagindo às declarações direcionadas a ele. O youtuber ri a cada frase dita pelo interlocutor. “Não adianta vir aqui para dentro da UEG pregar essa especulação midiática”, diz a pessoa. “Aqui dentro da UEG, nós vamos trabalhar para o avanço da educação, porque é pra isso que a UEG foi criada. Para o povo, para os que mais precisam, não para fazer defesa especulativa, cretina, canalha. Não foi pra isso que a UEG foi criada. Aqui nós já lutamos muito e vamos continuar lutando. Não vamos aceitar impostor vir pra cá, intimidar colega, professores”.

Wilker Leão (Foto: Reprodução)

Wilker pede o microfone em seguida para responder: “Eu não estou aqui para expor ninguém, eu não tô aqui para ridicularizar nada. Eu tô aqui para ser um contraponto e mostrar a realidade porque eu acho que a gente tem que ter o direito. Tanto quem é de um lado, quanto do outro, de poder questionar. Eu tô sentindo muita falta disso, em muita gente, nas universidades públicas, mas eu tô vendo uma faixa aqui que chega a me incomodar também, que é ‘o agro mata…’, ‘o agro é assassino’. Jargões rasos que não querem dizer nada. Em que sentido isso? Sem o outro lado, o de um especialista, pra poder contrapor e apresentar sua visão. Então, nesse sentido a minha pergunta é: o debate realmente tá sendo debate ou tá sendo só militância? O outro lado devia ter parte em um debate assim, na visão de vocês?”.