Nova presidente do Jóquei diz que desapropriação é “realidade” e projeta futuro em outro endereço
Diálogo com prefeitura e promessa de gestão transparente serão prioridades
Eleita nesta segunda-feira (19) como nova presidente do Jóquei Clube de Goiás, à frente da Chapa Novo Jóquei, a advogada Nívea Cristina Ribeiro de Paula falou com exclusividade à coluna sobre os desafios imediatos da nova gestão. Entre eles, a necessidade de diálogo com a Prefeitura de Goiânia diante do processo de desapropriação em curso, a regularização jurídica e fiscal da associação e a projeção de um novo futuro para os associados, possivelmente em um outro endereço.
A eleição, decidida por margem estreita, 131 votos contra 115, encerra um período de instabilidade institucional. Para Nívea, o principal efeito do pleito é devolver legitimidade à representação do clube em um momento sensível. “A eleição vem dar legitimidade à nova diretoria justamente num momento em que o Jóquei precisa sentar com o poder público para tratar de temas muito relevantes, como a desapropriação e os passivos existentes”, afirmou.
O decreto municipal que prevê a desapropriação da sede já foi publicado. A Justiça condicionou a posse do imóvel ao depósito de R$ 55 milhões, valor da avaliação do prédio. Uma tentativa do município de compensar o montante com dívidas tributárias não foi autorizada judicialmente, já que o passivo segue em discussão.
De acordo com a presidente, a nova diretoria não adota postura de enfrentamento, mas defende uma negociação técnica e transparente. “Não somos contra a desapropriação. Ela é uma realidade. O que precisamos definir é a forma de indenização e qual é a dívida real do Jóquei. Agora, de forma legítima, estamos à disposição para dialogar.” Nívea também reconhece que a associação não tem condições financeiras de revitalizar a sede histórica no Centro de Goiânia nem vê viabilidade em retomar ali uma função social plena. O foco da nova gestão passa a ser organizar a casa e planejar o futuro.
Entre os primeiros desafios está a regularização do clube junto à Receita Federal. O CNPJ do Jóquei está inapto por falta de entrega de obrigações fiscais nos últimos anos, o que hoje impede qualquer negociação formal. Há ainda passivos tributários relevantes, especialmente ligados ao Hipódromo da Lagoinha, cujo IPTU anual chega a R$ 13 milhões, valor que a diretoria considera calculado de forma equivocada e já questionado judicialmente. “Não existe contabilidade dos últimos cinco anos. Precisamos de uma prestação de contas da gestão anterior para delimitar responsabilidades e marcar o início da nossa administração”, disse.
Superada a fase de regularização, a presidente projeta um novo ciclo para os associados. A ideia é concentrar esforços na consolidação do hipódromo e, a partir daí, estruturar um novo espaço de convivência. “A nossa intenção é, no futuro, construir um novo hipódromo com centro de lazer, para receber novamente as famílias joqueanas. Num segundo momento, pensar também em uma sede social. O Jóquei do futuro passa por reconstrução”, afirmou.
O discurso aposta menos na preservação de um endereço específico e mais na continuidade institucional. Para Nívea, a eleição também revelou um ativo que parecia adormecido: o vínculo afetivo dos associados com o clube. “Muita gente voltou ali depois de anos e reencontrou memórias, histórias de família. Durante muito tempo se ouviu que o Jóquei acabou. O que vimos foi que há problemas, mas também há patrimônio, história e possibilidade de futuro”, concluiu.