MARATONA

Equipe de maioria trans se destaca em evento de criação de jogos virtuais em Goiânia

Game acompanha um personagem que explora a própria mente no estilo 'point-and-click'

Com foco em saúde mental e equipe de maioria trans, jogo 'Headmates' é destaque na Global Game Jam Goiânia
Com foco em saúde mental e equipe de maioria trans, jogo 'Headmates' é destaque na Global Game Jam Goiânia (Foto: Arquivo pessoal)

O encerramento da Global Game Jam Goiânia, maratona colaborativa de criação de jogos, acontece neste sábado (7), a partir das 14 horas, no HUB Goiás. Na ocasião, o público poderá experimentar os 14 games desenvolvidos no evento, que incluem produções para PC, mas também tabuleiros. Entre os destaques, está Headmates, produzido para computador por uma equipe majoritariamente de pessoas trans (três pessoas trans e uma mulher cis).

O tema da maratona deste ano foi Máscara. O game do grupo formado por Asterion Nix Vasconcelos Torres (ele/ile), Júlia F. Cândida (ela/dela), Seraphine G. Barros (ela/dela) e Luciana Novaes (ela/dela) (única que não é trans) “é um jogo point-and-click/visual novel (como os clássicos dos anos 1990) que acompanha um personagem em sua exploração pelo próprio headspace (um espaço físico na mente), onde conhecemos os seus headmates (alters que dividem o headspace com elu)”, explicam.

Segundo Nix, para o conceito desse jogo, a inspiração foi uma pessoa especial para ele, que tem transtorno dissociativo de identidade (TDI) assim como a personagem do nosso game. “Pensei em como seria interessante abordar o transtorno em um jogo, já que não se fala tanto assim sobre o assunto normalmente. Acho que esse jogo, além de uma carta de amor pra essa pessoa, é uma forma de tentar dar mais visibilidade ao tema”, explica.

Júlia, por sua vez, destaca que o mais interessante em Headmates é a ideia de ter uma história que se passa inteira dentro da cabeça de alguém, o que não é algo que nunca foi feito antes (jogos da série Psychonauts feitos pela Double Fine lidam com personagens que exploram psiques alheias), mas ainda é muito interessante de se explorar pela quantidade de formas que ela pode acontecer. Para ela, poder focar inteiramente na cabeça de uma pessoa com um transtorno bem específico foi uma oportunidade de aprender mais sobre esse assunto para que, com o texto, seja possível tentar levar adiante essa informação de forma engajante e respeitosa.

O jogo ainda não está 100% finalizado, então o objetivo é justamente esse. “Eu gostaria muito de elaborar certas coisas que não conseguimos fazer com os contratempos que tivemos durante a Jam (como era de se esperar, já que sempre acontece alguma coisinha). A experiência já foi ótima, e publicar algo no final das contas seria muito bom”, detalha Júlia.

Para Nix, a expectativa é conseguir, pelo menos, levar até a plataforma Steam. Júlia concorda, mas afirma que gostaria de ter o título na itch.io. “É mais certeiro. Eu não sei o quanto custa pra colocar algo na Steam, mas já ouvi gente falando que é meio carinho…”

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Mais destaques

Outros destaques foram os jogos “Máscara e Poder” (eletrônico) e “Circo dos Temores” (tabuleiro/boardgame). O primeiro é uma game de ação e aventura 2D de plataforma que critica as relações de poder e o coronelismo. Já o segundo acompanha um artista que luta pela sobrevivência em um circo decadente, onde apenas os mais espertos e corajosos permanecem sob os holofotes.

Confira todos os títulos:

Tabuleiro

  • Circo do Temores
  • Mascaraste
  • Arracanos
  • Stole Face
  • Crack Under Pressures

Computador

  • Morte em Veneza
  • Masrode
  • Eyes wide Open
  • Headmates
  • Sem Coleira
  • Vampiros (Não) Me Mordam
  • Máscara e Poder
  • Inventário de Vidas
  • Dark Cult Incremental

Global Game Jam Goiânia

O evento de experimentação e inovação artística aconteceu de 24 de janeiro a 1º de fevereiro, e foi realizada em Goiânia com recursos do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás). O objetivo é conectar, simultaneamente, milhares de participantes em sedes distribuídas por mais de cem países. Nas edições de 2024 e 2025 na capital goiana, foram mais de 120 participantes, com 26 jogos originais criados.

Produtora do evento em Goiânia, Michelle Santos afirma que este ano foi uma celebração da criação humana. Segundo ela, a edição valorizou o gesto, o traço manual e a narrativa sensível em diálogo com o digital. “A mostra reforça o posicionamento da Global Game Jam Goiânia como um espaço de formação e descoberta, aproximando a sociedade da produção local de jogos”, afirma. A expectativa é que mais 500 visitantes passem pelo local.

Também neste sábado será realizada a Pitch Fest: uma oportunidade para criadores de jogos apresentarem um pitch de seus jogos e concorrer a ingressos para rodadas de negócios na gamescom latam 2026 e cursos da Alura. Na ocasião também haverá palestras de especialistas sobre o futuro da indústria e os processos de criação. O evento terá suporte de interpretação de Libras para todos os conteúdos da programação, além de apoio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que levará computadores para serem sorteados nas dinâmicas do evento através do Programa Sukatech.