sem base científica

BBB: Sarah elogia constelação familiar e web detona: ‘Pseudoterapia e picaretagem’

Método é criticado pelo risco de culpabilização da vítima — especialmente em casos de abuso ou violência

BBB: Sarah elogia constelação familiar e web detona: 'Pseudoterapia e picaretagem' Método é criticado pelo risco de culpabilização da vítima
Imagem: Divulgação

A ex-BBB Sarah Andrade causou repercussão nas redes sociais nesta segunda-feira (19) ao elogiar a constelação familiar durante uma conversa no BBB 26. O método, que não tem base científica e não há comprovação de que funcione como tratamento, é alvo de controvérsias e frequentemente classificado por especialistas como pseudocientífico, o que gerou uma enxurrada de críticas de internautas.

No Quarto Sonho do Grande Amor, Sarah contou que teve uma experiência intensa com a prática. “Constelação eu amei fazer! Eu constelei a minha vida inteira, inteira, inteira. Eu fui fazer um projeto no ano passado e fiz umas oito sessões de 3, 4 horas de constelação. Constelei minha vida inteira”, afirmou. Aline Campos, que também participava da conversa, concordou: “Constelação é ótima”.

A fala não foi bem recebida pelo público. Nas redes sociais, usuários criticaram duramente a defesa do método, ressaltando que a constelação familiar não é reconhecida como psicoterapia e não tem comprovação científica. “Constelação familiar???? Isso é picaretagem, meu Deus”, escreveu um internauta no X (antigo Twitter). Outro comentou: “Cuidado com saúde mental é com psicólogo e psiquiatra. Não caiam nisso”.

O que é a constelação familiar

A constelação familiar parte da ideia de que problemas emocionais, comportamentais e até físicos teriam origem em conflitos não resolvidos de gerações passadas. Segundo a abordagem, traumas, segredos ou exclusões vividos por antepassados poderiam se repetir inconscientemente nos descendentes, afetando relações, saúde e até finanças. As sessões utilizam representantes para encenar dinâmicas familiares, com o objetivo de “restaurar a harmonia” do sistema.

Especialistas, no entanto, fazem duras críticas ao método. Entre os principais pontos levantados estão a falta de base científica, o risco de culpabilização da vítima — especialmente em casos de abuso ou violência —, além do uso indevido no Judiciário e da atuação de facilitadores sem formação em psicologia ou saúde mental. Por esses motivos, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) não reconhece a constelação familiar como prática terapêutica.

Proibição

A polêmica também ganhou contornos políticos e jurídicos. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 2166/2024, que proíbe o uso da constelação familiar sistêmica em qualquer âmbito do Poder Judiciário. A proposta, que já foi aprovada por uma comissão temática, aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e busca impedir a aplicação do método até mesmo como forma alternativa de resolução de conflitos.

Entre críticas e ironias, um comentário resumiu o clima nas redes: “Sarah Andrade defendendo constelação familiar no BBB. E Aline Campos também, pra me dar um motivo extra pra votar nela”.