Maior imagem de Nossa Senhora Aparecida em fibra de vidro do Brasil fica em Goiás e nasceu de um sonho
Monumento de 27 metros e 21 toneladas foi construído em Bom Jardim de Goiás após empresário relatar uma experiência espiritual; local se tornou santuário diocesano
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Uma luz azul e branca, uma voz durante o sono e uma missão que parecia impossível deram origem a um dos monumentos religiosos mais conhecidos do interior de Goiás. Às margens da BR-158, em Bom Jardim de Goiás, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com 27 metros de altura e 21 toneladas chama a atenção de quem passa pela região. Considerada a maior representação da Padroeira do Brasil construída em fibra de vidro, segundo seu idealizador, a escultura nasceu de um sonho relatado pelo empresário Weuler Ribeiro. A obra foi iniciada em 2018, concluída em 2019 e transformou o local em um ponto de peregrinação que, três anos depois, receberia o reconhecimento oficial da Igreja Católica como santuário diocesano.
Localizada no quilômetro 40 da BR-158, a escultura possui altura equivalente à de um prédio de aproximadamente 9 andares. O monumento faz parte da paisagem do oeste goiano e se tornou uma referência para visitantes e devotos. A história, entretanto, começou muito antes da construção, quando Weuler afirmou ter recebido uma mensagem durante um sonho que mudaria sua relação com a fé.
O sonho que deu origem à imagem de Nossa Senhora Aparecida

Em entrevista ao Mais Goiás, publicada em outubro de 2025, Weuler Ribeiro contou que a inspiração surgiu pouco antes de completar 40 anos. Segundo o empresário, uma luz branca e azul se aproximou durante o sono, acompanhada de uma voz que lhe transmitiu a missão de construir uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com aproximadamente 20 metros de altura. O objetivo, conforme sua interpretação religiosa, seria aproximar as pessoas de Jesus por meio da devoção mariana. A experiência foi descrita por ele como um acontecimento decisivo em sua trajetória pessoal.
O empresário também relatou episódios que reforçaram sua devoção, entre eles a morte da mãe em um acidente de trânsito e outro acidente que ele próprio sofreu na mesma rodovia. Em sua interpretação, experiências associadas ao perfume de rosas representaram manifestações espirituais. Esses acontecimentos fazem parte de seu testemunho pessoal e não constituem fenômenos sobrenaturais comprovados.
Uma estrutura de 21 toneladas construída no oeste goiano

A ideia começou a ganhar forma durante as celebrações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 2017. A mobilização religiosa reuniu apoiadores do projeto, que começou a ser executado em 2018. A construção foi concluída em 2019, resultando em uma escultura de fibra de vidro com 27 metros de altura e 21 toneladas. O tamanho ultrapassou os aproximadamente 20 metros mencionados no sonho relatado pelo idealizador.
A dimensão da obra contribuiu para dar visibilidade ao município. O monumento passou a chamar a atenção de motoristas que percorrem a BR-158 e de visitantes interessados em conhecer o espaço religioso. A classificação como maior imagem de Nossa Senhora Aparecida em fibra de vidro do Brasil é atribuída ao idealizador e reproduzida em reportagens, mas não foi localizado um levantamento técnico independente que confirme o recorde nacional.
Igreja reconheceu o local como santuário diocesano
Em 12 de outubro de 2022, a Diocese de São Luís de Montes Belos elevou a igreja construída junto à escultura à condição de Santuário Diocesano de Nossa Senhora Aparecida. A decisão ocorreu três anos depois da conclusão do monumento e representou o reconhecimento eclesiástico de um espaço que havia surgido a partir da iniciativa particular do empresário.
A diocese informou que o projeto recebeu apoio de diferentes pessoas da comunidade e destacou a trajetória religiosa de Weuler Ribeiro. Bom Jardim de Goiás integra o território da Diocese de São Luís de Montes Belos, que reúne 37 municípios. Com a elevação a santuário, o local passou a ter reconhecimento institucional como espaço de devoção e peregrinação.
Monumentos religiosos também transformam o turismo
A relação entre fé, peregrinação e desenvolvimento regional é objeto de pesquisas acadêmicas. No estudo A cidade-santuário de Aparecida: devoção, turismo religioso e política, publicado na revista Espaço e Cultura, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o pesquisador Ivo Francisco Barbosa analisa como a expansão das peregrinações contribuiu para modificar a organização territorial de Aparecida, em São Paulo. O trabalho identifica a relação entre o crescimento dos espaços religiosos, a criação de infraestrutura e o desenvolvimento de atividades destinadas aos visitantes.
Embora a pesquisa não tenha analisado especificamente o monumento de Bom Jardim de Goiás, oferece elementos para compreender como grandes estruturas religiosas podem influenciar o turismo regional. Em Goiás, cidades como Trindade e a antiga capital já possuem tradições de peregrinação. O monumento de Bom Jardim integra esse conjunto de destinos, mas ainda são necessários estudos sobre a quantidade de visitantes e os impactos econômicos específicos da escultura.
De uma imagem de 36 centímetros a um monumento de 27 metros

A escultura goiana também chama a atenção pelo contraste com a imagem que deu origem à devoção nacional. Segundo a tradição católica, Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por três pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717. A peça original, confeccionada em terracota, possui aproximadamente 36 centímetros de altura. Já o monumento de Bom Jardim de Goiás alcança 27 metros, o equivalente a 75 vezes a altura da pequena imagem histórica.
A diferença de tamanho representa a expansão de uma devoção que começou em reuniões familiares e passou a integrar igrejas, santuários e celebrações em diferentes regiões do Brasil. Em Bom Jardim, essa trajetória ganhou uma manifestação particular: uma escultura monumental cuja origem foi associada pelo idealizador a uma experiência espiritual.
Mais de uma década depois do sonho relatado por Weuler Ribeiro, a imagem permanece às margens da BR-158. A escultura reúne três elementos que ajudam a explicar sua história: a experiência pessoal do empresário, a mobilização necessária para construir uma estrutura de 21 toneladas e o reconhecimento religioso concedido pela diocese em 2022. O que começou como uma promessa individual passou a integrar o patrimônio religioso e a paisagem do interior de Goiás.